Paróquia Nossa Senhora do Rosário, conhecida como Catedral, no Centro, é a sede da Diocese (Alexsander Ferraz/ AT) Uma Igreja que festeja sua história, mas com olhar para o futuro e, principalmente, o acolhimento de quem anda afastado do catolicismo ou ensaia os primeiros passos na religião. É essa a missão que a Diocese de Santos, aos 100 anos, completados nesta quinta (4), abraça em seu aniversário. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! São 50 paróquias, com 271 comunidades espalhadas pelas nove cidades da região, buscando estar conectadas com os fieis. “O centenário ajudou muito o povo a ter um conhecimento melhor do nosso trabalho. Também noto crescimento no amor à Igreja, com a consciência de que todos somos missionários. Então, nós temos uma diocese unida com todas as comunidades das paróquias”, afirma o bispo diocesano, dom Tarcísio Scaramussa. Segundo ele, o tema do centenário, Lançai a Rede, vai no sentido de disseminar uma consciência missionária. “Nós temos realmente, hoje, uma igreja muito comprometida com os pobres e muitos trabalhos sociais. Esse é o rosto da Igreja, unida, crescendo na fé em Jesus Cristo e com consciência da missão e de amor aos pobres e solidariedade fraterna.” Dom Tarcísio lembra que eventos marcaram o ano jubilar, como a chamada Porta Santa, oriunda das paróquias até a Catedral, em busca de indulgência (reparação e remissão total ou parcial das consequências dos pecados e atos contrários às determinações católicas); a Romaria Diocesana ao Santuário de Aparecida (SP) e sessões solenes em câmaras municipais e na Assembleia Legislativa do Estado. “O jubileu ajudou a sentir que também a sociedade reconhece a presença e o valor da Igreja, por meio do trabalho social e ecumênico (dela), além do diálogo inter-religioso com outras igrejas”, acrescenta o bispo. Conectada O líder da Diocese de Santos lembra a importância de saber utilizar a tecnologia e os avanços na comunicação para fortalecer o processo de evangelização. Isso inclui o aumento do uso das redes sociais e, mais recentemente, os desafios impostos pela inteligência artificial. “Quase todas as comunidades têm um site, comunicação nas redes sociais. Isso favorece o funcionamento dos grupos, dos conselhos que se comunicam. É uma área desafiadora, que significa uma qualificação melhor para poder se situar e dialogar também com toda essa cultura que gira através da questão digital. A inteligência artificial traz inúmeros desafios. Precisamos conhecer bem para utilizar o recurso.” Passado e futuro A Diocese de Santos surgiu do desmembramento das dioceses de Botucatu, Taubaté e da Arquidiocese de São Paulo. Os limites da nova Diocese eram as arquidioceses de São Paulo e Curitiba e as dioceses de Taubaté, Sorocaba e Barra do Piraí (Rio de Janeiro). Abrangia todo o Litoral Paulista, além dos municípios do Vale do Ribeira. Foi, entretanto, o papa Pio 11 quem deu origem à nova diocese, com a assinatura da bula Ubi Praescules, em 4 de julho de 1924. Se a caminhada foi longa, o olhar para os próximos 100 anos também se faz presente. E a tarefa é trabalhar os fiéis, especialmente crianças e jovens, mas sem esquecer quem é batizado, mas anda afastado da igreja. “Nós temos o que nós chamamos de iniciação à vida cristã de todas as pessoas, porque não vemos mais uma realidade em que toda a sociedade é cristã. É para as pessoas realmente terem um verdadeiro encontro com Jesus Cristo, de tal forma que a pessoa faça uma opção de fé, não só porque foi batizada ou porque cresceu em uma família cristã. Esse é o esforço que a gente faz na formação de crianças, de jovens, de adolescentes, mas também de adultos”, sinaliza Scaramussa. Programação Os festejos dos 100 anos da Diocese de Santos terão ações no sábado. A partir das 9 horas, será realizada uma procissão, que parte da Igreja do Rosário (Praça Rui Barbosa, s/nº, no Centro). Para as 10 horas, está marcada uma missa campal na Praça da República, em frente à Alfândega. Pastorais reúnem fiéis em serviços à comunidade A força do trabalho da Diocese de Santos está no trabalho pastoral. Conforme o coordenador diocesano de pastoral e pároco da Igreja São João Batista, no Morro Nova Cintra, em Santos, Thiago Miranda Branco Neto, há comissões e, nelas, as pastorais, que atuam em diversas questões. “Tem uma comissão que cuida mais da parte litúrgica, outra da parte musical, mas destacamos muito as pastorais sociais”, explica. Um exemplo de engajamento, diz, é a Pastoral da Ecologia, com evangelização por meio conscientização ecológica das comunidades. “Olhamos a criação de Deus como uma casa comum, onde Deus nos dá toda a parte da criação para viver”, explica. As pastorais da Família e da Criança também têm um trabalho destacado. Outra é a Pastoral da Cidadania, que evangeliza os fiéis a fim de serem cidadãos. Um exemplo dessa preocupação é a distribuição de uma cartilha orientando sobre o voto consciente nas eleições municipais de outubro. “Todas as paróquias recebem uma quantidade de cartilhas, que são entregues pelos padres. Ali, há indicações de como um cristão deve votar, buscando ter candidatos que estejam alinhados à doutrina da Igreja Católica, para não ferir os princípios religiosos que nós temos”. Povos indígenas e caminhoneiros são outros exemplos de atuação pastoral da Diocese. Engajamento Padre Thiago Miranda explica que os jovens católicos atuam em diversos grupos, com engajamento. “O padre, na comunidade, identifica o potencial nas pessoas e em qual pastoral ela poderia colaborar. Também há aquela pessoa trazida à comunidade, disposta a ofertar sua contribuição em alguma atividade. Então, vem muito dessa parte de acolhida, tanto do padre quanto dos irmãos da comunidade”. Segundo ele, uma preocupação é lutar contra o etarismo. Para isso, há a Pastoral da Pessoa Idosa, “envolvendo-as de novo num serviço que sempre fizeram”. Canonizações A Diocese de Santos tem um padre que já viu e fez parte da história da Igreja. Caetano Rizzi, hoje na Paróquia de Jesus Crucificado, no Jabaquara, em Santos, também faz parte do Tribunal Eclesiástico, no qual é juiz. Ele tomou parte em dois processos de canonização com base em milagres ocorridos na região: por meio de Santa Josefina Bakhita e Santa Madre Teresa de Calcutá. A primeira foi canonizada em outubro de 2000, pelo então papa João Paulo 2º, hoje santo, e a segunda, em 2016, pelo papa Francisco. “Bakhita me fez ver mais de perto essa questão da escravidão. E madre Teresa, o aspecto da caridade, da pobreza, as pessoas em situação de rua. Aqui em Santos é algo ainda presente”, conta Rizzi, que chegou a ver Teresa de perto, em uma ocasião. “Tiveram que colocar um banquinho para que ela alcançasse o microfone. Ela não levou nenhum apontamento, mas foi imensamente aplaudida. Eu conheci uma santa”, resume.