[[legacy_image_193938]] Após ser contratada para fazer uma intervenção artística na programação realizada em paralelo à Conferência da Rede de Cidades Criativas da Unesco, em Santos, a cenógrafa e designer de interiores Yanaina Mella afirma ter sido censurada pela Prefeitura de Santos e pelo Museu do Café, na última quarta-feira (20). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A instalação expunha dois manequins que representavam mulheres vítimas de feminicídios e violência doméstica e, segundo ela, foram confiscados por serem “chocantes demais”. De acordo com Yanaina, a organização do evento entrou em contato para oferecer um espaço para a montagem de uma intervenção artística, de tema livre. “Tivemos pouco tempo para trabalharmos a ideia e para comprar todo o material. Precisei lidar com um prazo mais curto do que costumo trabalhar”. O local escolhido para a intervenção foi estipulado pela Unesco e fica atrás do Museu do Café, na Rua Tuiutí. A arte se baseava em pintura, colagem de lambe-lambe, frases e a instalação de dois manequins como bonecas. “Montei duas bonecas e a ideia era uma estar resgatando a outra de situações de violência. Montamos também um contexto em volta com estatísticas de diversos casos de feminicídio e estupro que vem acontecendo”, explica Yanaina. Ela conta que começou a montagem na última terça-feira (19) e desde o momento que chegou ao local destinado à intervenção foi abordada tanto por funcionários do Museu do Café quanto por funcionários da Prefeitura. “Eles alegavam que eu não tinha autorização para qualquer instalação. Após muita conversa e explicações, e mostrar documentos, um funcionário do Museu liberou meu trabalho pedindo desculpas pelo transtorno e que havia sido um erro de comunicação interno deles. Então, dei continuidade ao meu trabalho”. A designer de interiores afirmou que os funcionários disseram que “minha arte teria que ser mais leve, questionando também nossa escolha de usar a cor vermelha. Falavam que a palavra ‘estupro’, ‘morte’ e ‘violentada’ eram palavras muito chocantes”. Yanaina conta que ficou até a madrugada de quarta-feira (20) confeccionando sua exposição e tomando cuidado para preservar os elementos da fachada tombada. “Deixei a intervenção quase pronta para que, no dia seguinte, pudesse finalizar. Para a minha surpresa, quando cheguei na manhã seguinte, não havia mais boneca no local”, relatou. Indignada, a designer foi até o Museu do Café questionar onde estavam as bonecas. Lá, a funcionária afirmou: “Eu não sei onde elas estão. Realmente é uma ação da Prefeitura”. Yanaina ainda perguntou o motivo da retirada das artes, mas, na ocasião, a funcionária não soube informar. Depois de muita insistência, a designer disse que conseguiu seu manequins de volta, mas um deles foi completamente destruído. Depois desse episódio, a designer contou que os funcionários do local afirmaram que ela não teria autorização para colocar mais nada, somente colocar mais lambe lambes. “Mandei imprimir cerca de 150 lambe-lambes. Voltei para a instalação e colei todos às 8h da manhã. Quando passei em frente novamente, umas 11h da manhã, eles tinham sido arrancados. Foi nesse momento que eu me revoltei”. [[legacy_image_193939]] Em nota, a Prefeitura de Santos afirmou que a artista foi convidada para realizar a intervenção na Rua Tuiuti, como parte da programação cultural que ocorre neste final de semana, no Centro. Sob a alegação de que parte da obra ocupou a parede de um imóvel tombado sem a devida autorização, os responsáveis pelo local retiraram os cartazes e guardaram a obra. A prefeitura, em apoio à manifestação, vai definir em conjunto com a artista um outro espaço para que ela realize a mesma intervenção artística, ainda neste final de semana.