[[legacy_image_196450]] Após ver o boneco de apoio emocional quebrar, o pequeno morador de Santos, Miguel Gonçalves Garcez, de 6 anos, precisou ser levado ao hospital devido à febre causada pela falta do brinquedo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo a mãe de Miguel, Rejane Monteiro Gonçalves, de 46 anos, o filho tem paralisia cerebral e o boneco foi essencial para o seu desenvolvimento ao longo dos anos. [[legacy_image_196451]] A história mobilizou a web e Miguel ganhou até mais bonecos do que precisava. Por isso, a família decidiu doar os demais brinquedos, transformando a solução de um problema em benefícios para outras crianças. O boneco de estimação de Miguel foi destruído após o padrasto da criança ter colocado na máquina de lavar. Quando o menino soube da situação, começou a apresentar febre e teve que ser levado ao hospital. ‘Na unidade de Saúde, o médico avaliou que a condição de saúde da criança estava ligada ao lado emocional’. Em seguida, Rejane iniciou a busca por um novo boneco para o filho. Logo, a família conseguiu várias doações, entre usados e novos, com a ajuda de internautas e grupos de WhatsApp. Com a ajuda de Regiane Bichierov, que se dispôs a ajudar a família ao compartilhar a história pelas redes sociais, elas tiveram a ideia de doar os brinquedos a outras crianças com deficiências que não teriam condições de comprar um boneco. "Falei pro meu filho e ele ficou todo feliz com a doação dos ‘patatis’ a outros amiguinhos”. Rejane também busca voluntários vestidos de Patati e Patatá para participar da entrega dos brinquedos. Ela sonha, ainda, que esse seja apenas o começo de uma campanha de arrecadação com muito amor, para ajudar cada vez mais crianças. Sonhos e despedidas Rejane explica que a influência da figura dos palhaços Patati e Patatá são grandes na vida do filho, pois ele foi adotado. E, durante a época em que ficou no abrigo, o menino precisou ficar muito tempo isolado devido a problemas de saúde. Por isso, Miguel passava o tempo assistindo os desenhos dos palhaços, o que marcou sua vida desde bebê. "Quando ele se viu sem um dos bonecos, foi como se ele tivesse perdido um filho ou irmão. Ficou em pânico. Meu filho faz terapia em uma clínica, a RGD, em Santos, e os bonecos têm uma grande importância nisso (no progresso da terapia)". A professora também conta que adotou Miguel, junto ao marido que faleceu por complicações da covid-19 quando a criança tinha apenas quatro anos. Um dos sonhos do casal era fazer uma festa temática para o garoto. Porém, ainda não foi realizado devido à morte e condições financeiras. Ela também diz que o marido falava que gostaria que a dupla Patati Patatá soubesse da importância do trabalho deles na vida do filho, fazendo parte da evolução da criança. O maior sonho da família era que a criança conhecesse os palhaços pessoalmente. Terapia e itens de apoio A psicóloga Ingrid França, especialista em terapia cognitivo comportamental, explica que normalmente é possível usar esses objetos para criar um vínculo com a criança para ensinar algumas situações por meio do boneco. No entanto, é preciso ter atenção para não criar uma dependência do item de apoio. "É preciso entrar com esse objeto para criança ou adulto já tendo uma estratégia para retirada dele. Não precisa ser radical, para não causar dano emocional. Mas, temos que lembrar que esse item não pode ser uma muleta". Ela explica, ainda, que o ideal é ir afastando aos poucos. "É preciso deixar o boneco em alguns momentos. Não necessariamente tirar completamente da vida da criança. Mas, tentar fazer com que a pessoa não crie uma dependência com o item".