O presidente João Rechtenwald destaca o caráter cultural e a preservação da história automobilística (Alexsander Ferraz) Um galpão localizado no Paquetá, em Santos, reúne décadas de história sobre quatro rodas. Entre discos de vinis, miniaturas e pôsteres do Beatles nas paredes está a sede do Clube de Automóveis Antigos de Santos (CAAS), que conta, pelo menos, com 100 sócios e soma cerca de 300 automóveis em sua coleção. O modelo mais antigo da coleção é um Ford T, de 1905. Os números foram passados pelo atual presidente, João Rechtenwald, que também é um dos seis fundadores do clube. Em março de 1996, o grupo de amigos resolveu transformar um interesse em comum - a paixão por carros antigos - em algo maior. Inegavelmente, a iniciativa deu certo. Afinal, 28 anos depois, o grupo faz exposições mensais de exemplares da coleção em espaços públicos, com duas especiais em setembro e novembro no Jardim Botânico, e, se dependesse apenas da disposição, faria eventos ainda mais grandiosos. O presidente explica que, atualmente, falta apoio nas negociações para conseguir e infraestrutura para realizar eventos maiores. Só para garantir que o óleo dos automóveis não pingue e suje o chão de locais alugados, por exemplo, são necessários 300 tapetes. “Nós não levamos o carro antigo apenas como turismo, mas a gente leva também como cultura”. Raridades Na sede do Paquetá, há dois carros estacionados, um ao lado do outro: uma Mercedes 1966 e um Ford 1931 - só dois, porque com as obras do VLT não é possível entrar nem sair do local de carro. Meio metro e 35 anos os separam, e nisso cabe uma série de evoluções automobilísticas, já que cada um representa uma era. “É evolução de aerodinâmica, de motor, ar-condicionado. Naquela época (1931) não tinha ar-condicionado. A gente mostra também a cultura dos automóveis, como eles se desenvolveram ao longo dos anos, e a gente leva isso também para os nossos eventos”, explica Rechtenwald. Nas exposições, o público mais experiente costuma fazer perguntas não apenas relacionadas ao veículo em si, mas também sobre o contexto histórico de cada automóvel. Já as crianças ficam maravilhadas com as cores dos veículos, em especial dos Fuscas. “Eles estão conhecendo agora aquele carro e adoram porque tem bastante cores. Hoje, você tem prata, preto e branco. Naquela época, não. Havia um amarelo, um verde, um laranja. Parecia um arco-íris”. A placa O preto, no entanto, ainda é uma cor valorizada em uma parte essencial do carro: a placa. É que a cor indica que aquele modelo, além de antigo, tem pelo menos 80% de originalidade. Para consegui-la, além de pagar uma taxa para custear a verificação detalhada da Federação Brasileira do Veículo Antigo, o exemplar precisa ter pelo menos 30 anos. A frota antiga é renovada constantemente, e se você tiver paixão pelo antigomobilismo e vontade de fazer parte do CAAS, já cumpre dois dos três pré-requisitos. O terceiro é a contribuição mensal de R\$ 50,00 para manter os gastos do clube. É algo que Rechtenwald destaca diversas vezes: não é preciso ser dono de um veículo antigo para contribuir com essa coleção de automóveis e histórias. “A gente tem essa troca com os associados. Temos eventos. Temos tudo guardado: manuais da época, revistas automobilísticas encadernadas, damos consultoria, indicações de onde levar, orientações, assessorias de restauro. Temos história”, resume o presidente. Sócios Os interessados em se associar ao Clube dos Automóveis Antigos de Santos (CAAS) podem acessar o site da entidade (www.caas.org.br), enviar um e-mail para caas@caas.org.br ou entrar em contato pelo telefone (13) 3232-4554. Cada sócio deve pagar uma contribuição mensal no valor de R\$ 50,00.