[[legacy_image_172477]] Quando os 250 convidados chegarem na noite deste sábado (30) para o jantar dançante, com apresentação de fado e banda musical, vão perceber um detalhe importante no imponente Salão Camoniano do Centro Cultural Português: os aparelhos de ar condicionado estarão funcionando e representam um marco em todo o processo de revitalização do prédio, que completa 127 anos em dezembro e se tornou um dos pontos de encontro mais badalados da comunidade portuguesa desde que as regras da pandemia foram flexibilizadas. O vaivém de pessoas da comunidade e turistas é constante a semana toda. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O Salão Camoniano é o ponto alto de quem visita o Centro Cultural Português, um casarão que chama a atenção do pedestre, na esquina das ruas Amador Bueno e Martim Afonso. É o único em estilo manuelino no Estado. DetalhesO Salão Camoniano é rico de detalhes e curiosidades. Os artistas Antonio Fernandez e João Bernils assinam as obras que se espalham pelas paredes e no teto, em forma de telas a óleo e pinturas na parede. Tudo está sendo restaurado e recuperado: não só as obras, mas as estruturas de paredes, portas, móveis, piso, objetos de decoração, cortinas. [[legacy_image_172478]] O presidente da entidade, José Duarte de Almeida Alves, diz que, aos poucos, o centro está voltando a atrair a atenção do santista. Prova disso é o teatro, alugado para peças e apresentações musicais. “A agenda tem estado lotada, às vezes até com três sessões no dia.” Além do restauro e da recuperação do Salão Camoniano, outras obras estruturais foram executadas e deixaram o prédio renovado: banheiros reformados, salão de festas com equipamentos novos, reforço nas estruturas de teto, troca de sistemas hidráulico e elétrico, restauração e pintura da fachada, instalação de 23 câmeras de monitoramento. O prédio também conta com Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), atestando sua segurança. FinançasUm dos segredos para o bom momento do Centro Cultural Português, diz José Duarte, é ter as finanças saneadas. A entidade recebe recursos para projetos de recuperação e restauro do Ministério dos Negócios Estrangeiros, de Portugal, mas também tem as verbas decorrentes das locações. A mais importante delas vem da Santa Casa de Santos, que desde 2018 ocupa o imóvel que servia de salão de festas da entidade, na Avenida Ana Costa. “Termos fechado essa locação antes da pandemia nos ajudou bastante nesses dois anos sem atividades aqui.” Outro fator que colabora, explica o presidente, é ter a diretoria unida e presente. São 25 diretores, todos voluntários, e pelo menos dez deles vão ao centro diariamente. “Isso nos ajuda a resolver as pendências e tomar as providências rapidamente”, salienta. Além disso, por não possuir fins lucrativos, a entidade passou a ter imunidade tributária, o que a isenta do pagamento de impostos. Queremos ter o público de volta a esta região. DesafiosUma das preocupações de José Duarte é a renovação do público que frequenta as atividades e comanda o centro. Foi pensando nisso que ele escolheu, para compor a diretoria, jovens que quisessem assumir algumas responsabilidades. “Tenho aqui uns seis ou sete diretores abaixo dos 40 anos, o que já me deixa bastante animado. Isto aqui é deles, é para eles, são eles que estarão aqui para os próximos tempos”, diz. Duarte tem boas expectativas quanto ao processo de reocupação do Centro Histórico e acredita que o trabalho que desenvolve na entidade pode ajudar nesse movimento. “Queremos ter o público de volta a esta região.” [[legacy_image_172479]] Obras restauradasAndrea Naline é uma das restauradoras responsáveis por tirar e devolver à parede do Centro Cultural Português obras de arte com mais de 100 anos. O trabalho em cada obra é minucioso e pode durar meses, a depender do estado de conservação do material. “Aqui, as obras ficaram décadas sem qualquer tratamento, o que dificulta um pouco”. Ela trabalha agora nas telas que ainda faltam do Salão Camoniano e se prepara para um dos maiores desafios: restaurar o teto do salão, sem tirar a tela, ou seja, terá que trabalhar em andaimes. O trabalho de Andrea é delicado: começa removendo o verniz e produtos que tenham sido passados por cima. Depois, a prospecção da cor original, a recuperação do linho onde foi feita a pintura e, às vezes, a troca da moldura original. “É um trabalho de paciência, resgate e dedicação”, define. Em tempo: para o jantar dançante deste sábado (30) não há mais ingressos, que foram vendidos em apenas dois dias. Mas o Centro Cultural Português tem organizado outros encontros. Quem tiver interesse precisa se manter atento à programação.