A escola no Canal 2, que tem 458 alunos, foi fechada pela Prefeitura para evitar mais contágios (Alexsander Ferraz/AT) A escabiose, também conhecida como sarna humana, voltou a chamar atenção após a Unidade Municipal de Ensino (UME) Emília Maria Reis, em Santos, apresentar um elevado número de casos na última semana. O último registro da Prefeitura, feito na sexta-feira, indicou 40 casos da doença em frequentadores da unidade. Segundo a dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, Rita Paioli, a doença preocupa pois pode demorar a se manifestar. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Os sintomas demoram de 5 a 10 dias para aparecer, então, às vezes, a pessoa já está com escabiose e não tem o sintoma ainda”, explica. Por isso, ela explica que, quando uma pessoa se infecta, todos que vivem na mesma casa devem ser tratados, pois o mal é transmitido através do contato íntimo. “Se a pessoa não tratar, ela vai acabar passando a doença para outra”, emenda. De acordo com Paioli, a doença é causada por um ácaro, o Sarcoptes scabiei. Além do contato entre pessoas, a infecção pode acontecer após o contato com objetos, como roupas e lençóis. “Se a pessoa infectada deitar em um lençol, por exemplo, o ácaro pode ficar nesses tecidos”, esclarece. Tratamento A dermatologista explica que o tratamento é feito com o uso de loção antiparasitária, além de Ivermectina, a qual é receitada para uso via oral em casos mais severos da doença. Conforme a médica, a loção é utilizada por três noites. Após esse período, o paciente interrompe o tratamento por sete dias e volta a aplicar a loção por mais três noites. “Tanto a loção quanto o comprimido não destroem os ovos do ácaro, apenas matam o parasita. Por isso, é preciso fazer esse novo tratamento, porque os ovos que vão eclodir nos dias em que o paciente ficou sem passar a loção devem ser destruídos”, esclarece. Escola segue fechada Em nota, a Prefeitura de Santos afirmou que a UME Emília Maria Reis foi fechada por precaução na sexta-feira após a unidade, que conta com 458 alunos, registrar 40 casos de escabiose em frequentadores, sendo 32 estudantes e oito profissionais. Segundo o Município, o fechamento se deu por precaução, “após a identificação de novos casos da doença no local, todos de pessoas que deveriam ter buscado tratamento e ter permanecido em resguardo”. Os infectados assistidos pela rede pública de Saúde foram encaminhados para as policlínicas de referência dos munícipes, para que passassem por tratamento médico. Em seu comunicado, a Administração Municipal frisou que, antes do fechamento, a escola já tinha orientado pais de alunos e funcionários sobre como prevenir a doença. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ressaltou que, durante o fechamento, a escola passará por uma nova limpeza terminal, voltada à desinfecção. A Pasta informou, além disso, que a escabiose não é uma doença grave e não demanda notificação compulsória, exceto em casos de surto, o que não existe na Cidade. Atividades remotas Enquanto estiver fechada, a escola fornecerá atividades para que os alunos deem continuidade aos estudos de forma remota até o início do recesso. Os materiais podem ser retirados pelos pais até sexta-feira, das 9h às 16h, no Centro Darcy Ribeiro, na Rua São Paulo, 40. As correções dos conteúdos serão realizadas no retorno do recesso, programado para o dia 24 de julho e, segundo a Prefeitura, as ações pedagógicas serão intensificadas.