Nem todos os donos de imóveis permitem entrada de agentes, o que prejudica eliminação de criadouros (Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) A queda no número de casos de dengue no início deste ano não tira Santos de um cenário de atenção. Apesar dos indicadores positivos em comparação com o ano passado, a Prefeitura mantém alerta e projeta aumento da doença nos próximos meses, pois costuma haver alta de abril a junho. De janeiro a março, ainda com dados em atualização, foram registrados 144 casos na Cidade. No mesmo período do ano passado, 872, dos quais cerca de 600 em março — até nesta sexta-feira (20), em março deste ano, foram sete. O secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez, reforça que o cenário exige cautela e monitoramento constante, por meio de análise de densidade larvária, notificações por bairro e mais de 480 armadilhas espalhadas pela Cidade. Ações e tecnologia Só neste ano, já houve oito mutirões e ações contínuas, como visitas domiciliares, campanhas de conscientização e monitoramento de pontos estratégicos. O próximo mutirão será na Vila Belmiro. Uma das novidades é a aquisição de um drone pulverizador, que permitirá o acesso a locais de difícil entrada, como terrenos abandonados, obras paradas e piscinas sem manutenção. Locais onde mosquito transmissor da doença pode se reproduzir são comuns e nem sempre removidos (Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) “Os agentes, muitas vezes, têm dificuldade de acessar esses imóveis. Com o drone, vamos conseguir sobrevoar e aplicar larvicida ou inseticida conforme a necessidade”, explica o secretário. No início do ano, os mutirões foram concentrados na orla, especialmente em áreas com maior número de imóveis de temporada, como José Menino, Ponta da Praia e Divisa. Mas há dengue em todos os bairros, diz a Secretaria de Saúde. A exceção, parcial, é a região portuária, com menor incidência devido às características da área e às ações de controle no complexo. Ações Só neste ano, já houve oito mutirões e ações contínuas, como visitas domiciliares, campanhas de conscientização e monitoramento. Uma é a aquisição de um drone pulverizador, que permitirá o acesso a locais de difícil entrada, como terrenos abandonados. Agentes têm sido treinados e vacinados contra a dengue na Cidade (Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) Mosquito se espalha Entre os principais obstáculos no combate ao mosquito, está o comportamento da população. Segundo o secretário, falhas simples no dia a dia favorecem a proliferação do Aedes aegypti. Um dos exemplos mais recorrentes são os ralos, “onde mais encontramos focos”, conforme o secretário municipal de Saúde. Neles, “muitas vezes, a água não é visível”. Outro problema é a recusa de moradores em permitir a entrada dos agentes. No ano passado, foram 644 recusas em mutirões. “O agente está ali para orientar e eliminar focos, não para punir. Essa resistência precisa ser superada”, diz. A vacinação é outra medida preventiva, mas ainda há baixa adesão. Entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, está em 37%, abaixo do esperado pela Prefeitura. A expectativa é de avanço com a chegada de uma nova vacina em dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan, que pode ampliar o público imunizado. A atual demanda duas doses. E o Município já começou a vacinar agentes de combate às endemias e profissionais da atenção básica. Responsabilidade Mesmo com reforço nas ações e uso de novas tecnologias, a Prefeitura reforça que o controle da dengue depende diretamente da população. A recomendação é que cada morador dedique pelo menos dez minutos por semana para vistoriar sua casa e eliminar pontos com água parada. “A gente não consegue visitar todos os imóveis. Sem a colaboração da sociedade, não há como reduzir os casos.”