[[legacy_image_183500]] Vereadores, representantes da sociedade civil, técnicos e, até mesmo, a Prefeitura de Santos reconhecem a necessidade de melhorar o atendimento prestado pelo Consultório de Rua, serviço criado no Município, em 2012, que busca ampliar o acesso da população em situação de rua à rede de saúde. Essa foi a principal constatação da audiência pública promovida pela vereadora Telma de Souza (PT) sobre o tema, na tarde da última quarta-feira, na Câmara. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Integrante da equipe do programa municipal desde 2013, o coordenador Ricardo de Oliveira Pinto explicou que o serviço atua em alguns territórios do Município, como Mercado Municipal, Gruta do José Menino (próximo ao túnel do Veículo Leve sobre Trilhos - VLT), Praça Nossa Senhora Aparecida, pontos da orla, Rodoviária, assim como nos bairros Aparecida (entorno do Sesc e da agência do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS) e Valongo. “No ano passado, fizemos 225 consultas médicas, 2.886 atendimentos ambulatoriais com as equipes de enfermagem e 81 grupos com a população em situação de rua. Neste ano, houve uma queda no atendimento, pois o veículo que utilizamos está quebrado”. A presidente do Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas (Comad), Laureci Dias, afirmou que a equipe de trabalho desse serviço na Cidade é “maravilhosa”, mas fez uma consideração sobre a situação relacionada à falta do carro. “Não acho justo um serviço tão bonito e com profissionais tão dedicados estarem impedidos de trabalhar por causa de um veículo. É difícil acreditar que se leve quase um ano para arrumá-lo, enquanto várias obras estão sendo feitas na Cidade. É preciso ter um olhar especial para essa população”, desabafou. Sem segundo veículoRepresentante do Movimento Nacional de Luta em Defesa da População em Situação de Rua, o redutor de danos Ângelo Galdino relembrou que o antigo secretário municipal de Saúde, Fábio Ferraz, havia anunciado que o Consultório de Rua ganharia um segundo veículo para ampliar o atendimento. Porém, isso ainda não foi concretizado. “O Consultório de Rua foi fundamental para mim, no período em que ficava na Praça da (Nossa Senhora) Aparecida. A partir desse serviço, passei a ter um atendimento de saúde digno. Os trabalhadores nos tratam como ser humanos. Esse foi o primeiro passo para eu sair das ruas”, ressaltou ele, que hoje é estudante de Serviço Social na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Olha diferenciado Servidor público em Itanhaém e em Praia Grande, o assistente social José Carlos Varella explicou que o Consultório de Rua é um equipamento que tensiona a rede de políticas públicas municipais para garantir a dignidade o atendimento adequado dos indivíduos. Por esse motivo, as equipes desse serviço são as mais “odiadas” das prefeituras. “Esse equipamento faz com que pessoas são desprezadas, desprezíveis e inúteis aos olhos da população passem a ser importantes, porque damos o acesso universal ao cidadão e fazemos com que eles sejam respeitados e tratados em sua integralidade”, frisou. A professora do curso de Serviço Social da Unifesp, Silvia Tagé, explicou que a instituição está à disposição para seguir cooperando com a população em situação de rua por meio de projetos e ações. “A demanda nos diz que ainda falta mais cuidado, recursos e ações solidárias que demonstrem respeito à dignidade dessas pessoas e, acima de tudo, respeito à vida”, justificou. Horário de atendimento será ajustado A chefe do Departamento de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde, Mariana Trazzi, explicou, durante a audiência pública, que, embora esteja há menos de dois meses no cargo, admite que é preciso fazer melhorias no Consultório de Rua, que se encontra “desestruturado e sem entendimento claro de sua missão”. Um dos ajustes previstos é o horário de funcionamento desse serviço, que hoje é das 14 às 20 horas. “Como trabalhar nesse horário, se as policlínicas estão abertas até as 16 horas? As pessoas também ficam nas ruas durante o dia”, afirmou. Durante a atividade na Câmara, a integrante da pasta citou que os moradores em situação de rua devem ser atendidos em qualquer policlínica e não apenas naquela tida como referência atualmente, que é do Porto, localizada na Rua General Câmara, no Bairro Paquetá. Mariana afirmou que trabalha para colocar uma segunda equipe do Consultório na Rua para atuar na Zona Noroeste e que há uma cobrança frequente ao setor de transporte para que o veículo próprio do serviço fique pronto para circular novamente. No entanto, ela afirmou que outro automóvel é utilizado para não inviabilizar o serviço. “A burocracia que corre dentro de uma prefeitura para arrumar um carro é muito grande. Eu também gostaria que fosse mais fácil”.