Atuação de flanelinhas continua indiscriminada na orla de Santos

Sem ser incomodados por autoridades, guardadores loteiam vagas públicas de estacionamento na orla de Santos e cobram por isso

Por: Gabriel Oliveira & Da Redação &  -  17/11/18  -  16:39
  Foto: Carlos Nogueira/AT

Moradores da Baixada Santista e turistas continuam coagidos por flanelinhas na orla de Santos. Sem ser incomodados por autoridades, guardadores de carros loteiam vagas públicas de estacionamento e cobram dos motoristas.


O problema é antigo e rotineiro, mas se intensifica em épocas de maior movimento, como em feriados prolongados e no verão. Embora os pontos de atuação sejam conhecidos do Poder Público, os flanelinhas agem livremente.


Morador de São Bernardo do Campo (SP), o operador de reômetro (instrumento para medir correntes elétricas e escoamento de fluidos) Orlando Guerreiro, de 47 anos, encontra guardadores sempre que passa por Santos.


“Eu me sinto um pouco ameaçado. Somos obrigados a pagar, porque eles falam como se fossem os donos da área”, disse o turista, ontem, perto de dois flanelinhas que cobravam pelas vagas de estacionamento perto do Aquário Municipal.


Moradora da Ponta da Praia, a empresária Jamila Qureshi Moraes, de 44 anos, também reclamou. “Eles vêm em cima da gente, e nos sentimos obrigados a dar dinheiro. É que ficamos com medo de fazerem alguma coisa com o carro e acabamos acatando”.


Situação tensa


No José Menino, a situação é pior e mais tensa. No bolsão de estacionamento defronte ao Parque Municipal Roberto Mário Santini, A Tribunaviu, durante a tarde, ao menos oito flanelinhas. Eles organizavam a entrada e a saída dos veículos e faziam, até, fila de espera quando não havia vagas disponíveis. Em certo momento, dois deles discutiram por espaço. “Do poste pra cá é meu”, afirmou um deles.


Quando chegou ao local, a Reportagem foi abordada por dois homens. Eles perguntaram qual era o tema da matéria e afirmaram, em tom intimidatório, que não deveriam ser fotografados.


O funcionário público Magno Alves Pereira, de 36 anos, parou o carro ali para ir à praia com a família e deu algumas moedas ao guardador. Ele disse estar tão acostumado à situação que não se sente mais intimidado. “É um aborrecimento”, considerou o morador da Encruzilhada. “Não tem policiamento para ver. Isso não pode ser uma forma de emprego. É ameaça”.


O autônomo José Rivelino Moreira da Silva, de 41 anos, morador de Paranavaí (PR), saiu da praia lamentando a ação dos flanelinhas. “Seria bom se tivesse uma fiscalização maior”.


Que fazer?


Em nota, a Secretaria de Segurança de Santos alegou que faz forças-tarefas diárias com apoio da Polícia Militar.


Segundo argumentou a assessoria de imprensa da Prefeitura, “para que haja ação, é necessário que a vítima acione a polícia para que o provável infrator seja conduzido ao Distrito Policial”. Ainda; “Sem vítima, não há como registrar a ocorrência”. A Polícia Militar não respondeu à Reportagem.


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