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Segunda-feira

9 de Dezembro de 2019

Após um ano do desabamento, Cemitério da Areia Branca ainda segue em obras

A queda de um dos muros do local, na Zona Noroeste, deixou expostas no meio da rua gavetas e ossadas

Há um ano desmoronava o muro do Cemitério da Areia Branca, deixando expostas 36 gavetas com ossadas, em plena calçada da Rua Tomoichi Kobuchi, na Zona Noroeste, em Santos. Apesar do tempo que passou, ainda na última terça-feira (19) se trabalhava na reforma do muro do cemitério. A entrega da obra é prevista para a segunda quinzena de dezembro. 

A parte em manutenção fica na rua lateral oposta ao desmoronamento, a Rua Vereador Remo Petrarchi. Por lá, na última terça-feira (19), homens trabalhavam num trecho de cerca de 20 metros faltantes. O muro todo tem 240m daquele lado – segundo apurado. 

Todo o entorno do cemitério recebeu obra porque, na ocasião, mesmo antes do problema, a vizinhança já reclamava e anunciava a tragédia. Ossadas ficaram expostas entre 7 horas da manhã até por volta das 10 horas daquele dia, quando um plástico foi colocado para proteger os restos mortais da chuva. 

Segundo a Prefeitura, na data do problema já havia uma licitação em fase de homologação para as melhorias – à época, já eram visíveis inclinações e rachaduras. 

O prazo inicial da obra era de oito meses e os serviços deveriam terminar em setembro. Mas, em agosto deste ano, a Administração Municipal prorrogou por três meses o contrato com a empresa Engeterpa, como noticiado por A Tribuna.

A Administração explicou o aditamento como “questão técnica”. Entre os motivos, o remanejamento de três postes, sendo um de alimentação de energia de todo o bairro. 

 

Só as laterais

Mesmo com o prazo novo, o custo não foi alterado: R$ 592.030,88. O valor compreende novo muro nas ruas laterais do cemitério (ruas Remo Petrarchi e Tomoichi Kobuchi), novas calçadas nas duas vias, novo portão da Remo Petrarchi e concertina (cerca de arame) nas duas ruas citadas. 

Quem passa, portanto, na Rua Dona Olga Deon Coury Athiê, a via atrás do cemitério, vê trechos de cimento sobre a pintura nova, cobrindo fissuras. 

Questionada, a Prefeitura diz que os muros têm em sua constituição camada de blocos, argamassa, revestimento, chapisco e reboco. As fissuras são no reboco (camada superior), por conta do trânsito de caminhões. Por isso, já foram reparadas pela equipe de manutenção da Secretaria de Serviços Públicos. Falta, apenas, pintura desses trechos.

Segundo a Prefeitura, os muros novos já possuem juntas de dilatação, técnica que minimiza o aparecimento de fissuras. 

 

Falta receber prejuízo

Ronald Denari, taxista de 64 anos, lembra bem do desmoronamento. No dia da queda, seu veículo de trabalho estava estacionado ao lado do cemitério. O Toyota Etios 2014 foi atingido e ficou amassado, impossibilitando o trabalho. Precisou ir à Justiça para receber pelos danos.

“Coloquei no Pequenas Causas. A Prefeitura respondeu que o muro estava em perfeitas condições. Teria sido um acidente. Perderam em primeira instância, recorreram, perderam na segunda, mas ainda não recebi”. Para não deixar de trabalhar, Denari arcou com a franquia de R$ 5 mil do seguro e ficou 29 dias parado.

 

Após um ano, taxista ainda aguarda pagamento da prefeitura (Foto: Carlos Nogueira/ AT)
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