[[legacy_image_356988]] O forte calor da manhã deste domingo (12) não foi páreo para o calor humano presente na unidade do Bom Prato, ao lado do Mercado Municipal de Santos. Pela primeira vez, o espaço abriu as portas para o almoço no Dia das Mães. Foi o necessário para unir mães e filhos em torno de uma refeição temperada com carinho. O restaurante abriu às 10h30, mas desde cedo, as filas começaram a se formar diante do portão. Uma funcionária tentava “pôr ordem” no acesso. Mas ali era como coração de mãe: cabia sempre mais um. “Desde o final do ano passado, a gente vem abrindo as portas nos dias de algumas festividades. Fila na porta, salão enfeitado, com tudo para receber as mamães, enquanto as nossas estão trabalhando para atender todo mundo”, explica a gerente do Bom Prato, Solange Feliz, se referindo ao “time” de 11 mães, de nutricionista a ajudante de cozinha, responsável pela refeição. E o cardápio? Com cheirinho de comidinha de mãe. Havia lagarto recheado (com a opção de pernil suíno com molho colorido); pêra e doce de abóbora de sobremesa e nhoque de guarnição, além de arroz e feijão. Foram preparadas 1.200 refeições, à espera dos frequentadores da unidade. “Todas as funcionárias estão ajudando. Quem não veio hoje (ontem), veio no sábado, no pré-preparo. Mas todo mundo muito feliz em poder alimentar quem não tem a mesma situação de nós. A gente traz as famílias para dentro do Bom Prato. Quem não podia levar a mamãe para almoçar, por R\$ 1,00, pôde fazer isso”, acrescenta Solange. Segundo o governo paulista, foram investidos R\$ 1,9 milhão para a ação de Dia das Mães nas unidades do Estado, dobrando o subsídio por refeição, passando de R\$ 7,10 (dias normais) para R\$ 14,20 no sábado (feijoada) e ontem. Felicidade e distânciaA dona de casa Lucileide Fonseca dos Santos, 43 anos, por exemplo, aproveitou para almoçar com os filhos Juan, de 10 anos; Ranyeli, de 6; e a pequena Radija. de 1 ano e 10 meses. “É bom demais poder almoçar aqui com eles. Feijão, arroz, carne assada, uma sobremesa. É uma data especial, única no ano. Meu dia a dia é só cuidar das crias”, define. Em outra mesa, a também dona de casa Iara Batista dos Santos, de 35 anos, levou a prole à meao restaurante. Os quatro filhos (Victor Hugo, de 15 anos; Hector, de 12 anos; Agatha, de 11 anos e Alexia, de 9 anos) eram a companhia perfeita, após tempos difíceis. “Fiquei três meses na UTI por conta de uma apendicite, que acabou infeccionando. A sensação de ter esse almoço especial é muito boa. E os próprios filhos gostam, porque é uma oportunidade de reunir a família”, conta. Já a enfermeira aposentada Maria de Lourdes Vieira Piazotto, de 72 anos, estava sozinha no Bom Prato. Os três filhos estão espalhados por São Paulo, Sorocaba e São Luiz do Paraitinga. Mas a saudade tomou assento a seu lado. “Eu não posso ir até eles, nem eles virem aqui. E está tudo certo”. Coração de mãe tudo entende.