Há fila até para pegar senha para atendimento e quem tenha precisado comprar medicação por conta (Vanessa Rodrigues/AT) Horas de espera para a retirada de medicamentos, falta de remédios, ausência de comunicação. O Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Santos, no Bairro Aparecida, tem sido criticado por usuários que dependem de itens de uso contínuo e devem ser obtidos ali. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! No ambulatório, o descaso é constante, diz a costureira Maria Isilda do Nascimento de Jesus, de 69 anos, moradora da Cidade Náutica, em São Vicente. Ela trata problemas respiratórios. Na última semana, Maria chegou ao AME às 8 horas, acompanhada do marido, enfrentou fila de 30 minutos somente para a retirada da senha e até as 11 horas não havia sido atendida. O marido de Maria, com doença de Parkinson, não aguentou o estresse e passou mal na fila. “Eu tive que levá-lo para casa. Eu moro em São Vicente. E tive que voltar para pegar a medicação”, relata a costureira. Maria retornou ao AME por volta das 14 horas e até as 15h10 não havia sido chamada para a retirada, num horário em que o ambulatório, segundo ela, ainda estava muito cheio. “Eu vim na quinta-feira aqui e eu voltei sem fazer o pedido de medicação, porque não dava para transitar aqui de tanta gente que tinha”, disse Maria. Um dia antes, a servidora pública Milena Carvalho, de 42 anos, do Campo Grande, em Santos, passou por problema semelhante: esperou mais de quatro horas para ser atendida. Chegou por volta das 15h30 e só foi atendida umas 20 horas. Dos remédios que Milena retira todo o mês para tratamento do pai, com diabetes, e da avó, com Alzheimer e também diabética, nem sempre todos estão disponíveis. Na falta de galantamina de 24 miligramas (mg) para a avó, a equipe do AME de Santos, em atendimento por WhatsApp, propôs uma solução matemática: pedir ao médico uma nova receita do fármaco, desta vez, de 16 e de oito mg, que bateriam com a dosagem correta quando tomados juntos. ‘O médico adaptou (a receita). Agora, é a de 16 mg que não tem. (...) Está em falta, e não é o primeiro mês”, conta Milena. Reclamou, vieram seguranças A servidora também descreve que “uma senhora de 50 e poucos anos explodiu, gritou, começou a chorar falando do desrespeito que era aquilo, que ela havia deixado a mãe acamada em casa e estava ali há mais de quatro horas. (...) Ao invés de alguém da gestão vir conversar, acolher e resolver, chamaram os seguranças. (...) É uma postura intimidatória. Aquela senhora precisava de atendimento, de ajuda, e não de repressão”. No mesmo dia, a administradora Marta Natali Lourençone, de 37 anos, que mora no Jóquei Clube, em São Vicente, também foi ao AME e aguardou das 10 horas às 14h40 para retirar remédios para a mãe, com demência frontotemporal. “Eu tenho ansiedade, faço tratamento. Quando deram três horas (de espera), a minha ansiedade atacou de um jeito que eu pensei que não iria aguentar, porque é muito tempo que a gente fica ali (na fila)”, diz Marta. Todos os remédios que ela retira estavam no estoque, mas houve meses, segundo Marta, que ela teve de comprar o remédio para manter o tratamento da mãe. Gastou mais de R\$ 600,00 em uma compra. Resposta A Secretaria de Saúde do Estado informou, em nota, que o Departamento Regional de Saúde (DRS) da Baixada Santista está acompanhando a situação da Farmácia de Medicamento Especializado (FME) de Santos e monitora os motivos que geram a sobrecarga no número de pacientes que procuram a unidade. Segundo a Secretaria, a FME teve um aumento de 674% no atendimento de novos pacientes de maio a agosto e que atende cerca de 55 mil pacientes por mês. A unidade expandiu a faixa etária para pacientes com 60 anos que faziam a retirada do medicamento de uso contínuo, para pacientes de 40 anos, visando atender um número maior por recomendação do Ministério da Saúde. Em relação aos medicamentos disponíveis no AME, segundo a Secretaria de Saúde, fica a cargo do Ministério da Saúde a aquisição e a entrega de 47% dos medicamentos do componente especializado (alto custo) que abastecem as FMEs e são fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para melhorar o serviço, o AME de Santos está intensificando ações para melhorar o fluxo no atendimento e ampliou quadro de funcionários em 26% e, até o final de outubro, ampliará até 35%. A Secretaria também destaca que a gestão do AME dobrou o número de farmacêuticos e que a FME atua em parceria com as gestões municipais, responsáveis por receberem pacientes com agendamentos prévios, por meio de malotes.