Participantes da mobilização da 7ª Parada do Orgulho LGBT+ de Santos lotaram a Praça Mauá (Francisco Arrais/Prefeitura de Santos/Divulgação) O orgulho nas cores do arco-íris ganhou as ruas do Centro Histórico de Santos. A paleta que traduz a busca incessante por respeito, inclusão e dignidade coloria o trio elétrico, mas também a bandeira abraçada no corpo e o leque que virou instrumento de percussão. Era dia de luta, mas também de glória, e a alegria se espalhou por toda a mobilização que encerrou a programação da 7ª Parada do Orgulho LGBT + de Santos, ontem, em celebração ao Dia Internacional do Orgulho LGBT+, instituído em 28 de junho. A data comemorativa também consta no calendário oficial de Santos, instituída por lei municipal. A concentração ocorreu na Rua Senador Feijó, em frente à Praça José Bonifácio. Às 14h30, o trio elétrico partiu, conduzindo os participantes da parada pela Avenida São Francisco, depois pela Rua Dom Pedro II até a Praça Mauá, onde um palco foi montado para os shows que agitaram o público. As apresentações foram comandadas por Tchaka Drag Queen e Ariella Plin, os DJ Ale Vilela e Paula Pivatto, além das drag queens Ally Bee Rios, Carla D’Vainner, Hannah Deggy Bancks, Jessica Close, Marcela Summer, Mohara Benatto, Naylla Vellaskez, Olívia Olí, Samantha Dior e Satanaja. A música ao vivo ficou por conta da Banda O Último Banco do Bar. Uma enorme bandeira LGBT foi estendida na fachada do Palácio José Bonifácio, sede da Prefeitura de Santos. Segundo a Administração Municipal, mais de 6 mil pessoas participaram dos eventos da 7ª Parada do Orgulho LGBT+, em Santos. Com o lema “Contra o retrocesso no legislativo, vote por direitos LGBT”, a programação incluiu ainda o 3º Jogos da Diversidade, no último dia 22, no Centro Esportivo M. Nascimento Jr, no bairro Santa Maria, na Zona Noroeste, e a 2ª DiversaFeira - Feira da Diversidade, realizada no sábado (29), no Centro de Cultura Patrícia Galvão, na Vila Mathias. “A gente fecha com chave-de-ouro todo um trabalho realizado neste mês, tentando conscientizar as pessoas para que reflitam em quem vão votar nas eleições. E, hoje, é para manifestar o seu orgulho”, afirmou a presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de Santos (APOLGBT Santos) e organizadora do evento, Daisy Christine Eastwood. O coordenador estadual da Diversidade e secretário executivo do Conselho Estadual da Defesa dos Direitos da População LGBT de São Paulo, Rafael Calumby Rodrigues, participou da mobilização distribuindo panfletos sobre a Lei Estadual nº 10.948/2001. “É a primeira lei do Brasil de combate à LGBTfobia e uma grande conquista para o Estado de São Paulo. A parada é uma oportunidade para divulgarmos as políticas públicas e demonstrar o que está sendo construído”, afirmou. Calumby destacou ainda que, neste mês, “criamos o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos LGBT em Guarujá e nossa meta é dobrar o número de conselhos municipais LGBT no Estado. Acreditamos que a participação da sociedade civil é um caminho para essa construção coletiva”. O diretor administrativo da Associação Diversa Arte e Cultura, Renato Viterbo, que é ex-vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo (APOGLBT), também prestigiou o evento. Atualmente, ele se dedica, por meio da organização social, “a cuidar da história e da memória da população LGBT na cidade de São Paulo. Hoje, nós temos mais de 22 mil itens que contam a história da nossa população desde a década de 1960 até os dias de hoje e fazemos várias exposições que circulam pelas paradas do Estado de São Paulo”. Viterbo esteve na parada santista pela primeira vez. “Eu me senti muito honrado, orgulhoso e com um sentimento de pertencimento até porque eu já morei em Santos”, declarou. Animado Um dos mais animados era o cabeleireiro e maquiador Robert Lopes, morador de São Vicente, que cantava e dançava embalado pelo trio elétrico, com uma bandeira LGBT enrolada em seu corpo. Para ele, celebrar é um ato de resistência. “É uma festa importante para mostrar a nossa resistência diante de todos os desafios que a vida nos proporciona. O homossexual não é um marginal. Todos nós temos profissão, família e o direito de ser feliz. A parada é fundamental para conscientizar as pessoas sobre isso”, enfatizou. “É uma festa importante para mostrar a nossa resistência diante dos desafios que a vida nos proporciona. O homossexual não é um marginal. Todos nós temos profissão, família e o direito de ser feliz”, enfatizou o cabeleireiro e maquiador Robert Lopes (Bárbara Farias/AT) O auxiliar administrativo, Jandeilson Pais de Lima, expressou: “A gente ainda é um pouco discriminado e é preciso acabar com isso”. Para Bruna Oliveira, de 34 anos, e Juliete dos Santos Oliveira, 34, participar da Parada LGBT+ tem um significado muito especial, pois estão juntas há 11 anos e, há nove, oficializaram a união. “Nossa história começou há 11 anos, quando eu trabalhava em uma loja de materiais de construção e a Juliete, com obras. Foi amor à primeira vista. Nós estamos juntas desde então e somos casadas legalmente há nove anos”, contou Bruna. Juliete dos Santos Oliveira e Bruna Oliveira estão juntas há 11 anos e oficializaram a união há nove: "Foi amor à primeira vista" (Bárbara Farias/AT) Perguntada sobre o qual é segredo da relação duradoura, Juliete disse: “É o amor e a cumplicidade”, ao que Bruna completou: “e muita paciência, porque a gente enfrenta os mesmos altos e baixos de qualquer relacionamento, seja homoafetivo ou hétero. E nós temos uma filha, a Jenifer, de 18 anos, que veio com a Juliete”.