Presença de álcool em pães gerou polêmica e dúvidas nas redes sociais (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Após viralizar nas redes sociais um vídeo sobre a presença de álcool nos pães de forma, que pode influenciar no teste do bafômetro, A Tribuna conversou com o nutricionista Álex Nascimento, que atua em Santos. Ele esclareceu alguns pontos em relação ao assunto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Sobre o impacto que o álcool presente nos pães e outros alimentos pode causar nas pessoas, o profissional de nutrição contou que essa substância geralmente está em quantidades muito pequenas devido ao processo de fermentação. “Em pães, por exemplo, o álcool é um subproduto da fermentação do açúcar pelas leveduras, mas a maior parte evapora durante o cozimento”. Apesar disso, Álex disse que, para a maioria das pessoas, essas quantidades mínimas de álcool não têm impacto significativo. Segundo o profissional da saúde, o álcool presente nos alimentos pode afetar o organismo de diversas maneiras, dependendo da quantidade consumida, frequência do consumo e da sensibilidade individual ao álcool. Confira pontos relevantes para ficar atento. 1. Quantidade de Álcool: Muitos alimentos, como sobremesas flambadas, molhos de vinho e fermentados, podem conter pequenas quantidades de álcool. Geralmente, esses níveis são baixos, mas ainda assim podem afetar o organismo se consumidos em grandes quantidades ou se a pessoa for particularmente sensível ao álcool. 2. Metabolismo: O corpo metaboliza o álcool presente nos alimentos de maneira semelhante ao álcool das bebidas. Isso significa que ele é absorvido pelo trato gastrointestinal e processado pelo fígado. 3. Sensibilidade Individual: Algumas pessoas têm uma sensibilidade maior ao álcool, incluindo aqueles com condições médicas específicas, como doenças hepáticas, ou aqueles que tomam medicamentos que interagem com o álcool. 4. Efeitos Físicos: Mesmo pequenas quantidades de álcool, podem causar efeitos físicos, como sonolência, diminuição da coordenação motora e, em casos raros, reações alérgicas. 5. Efeitos a Longo Prazo: O consumo regular de alimentos com álcool, mesmo que em pequenas quantidades, pode contribuir para a ingestão total de álcool, o que pode ter implicações para a saúde a longo prazo. O nutricionista também alerta sobre a moderação no consumo desses alimentos. “O consumo de alimentos que contêm álcool deve ser moderado, assim como o consumo de bebidas alcoólicas. Para crianças, gestantes, pessoas com certas condições de saúde ou que tomam certos medicamentos, é melhor evitar completamente o consumo de álcool, inclusive o presente nos alimentos”. Nutricionista de Santos esclarece dúvidas sobre álcool nos alimentos (FreePik) E o pão? Sobre a presença de álcool nos pães, Álex Nascimento contou o motivo para acontecer isso. “O álcool em pão de forma geralmente é resultado do processo de fermentação. Durante a fermentação, os fermentos (leveduras) convertem açúcares em dióxido de carbono e álcool. Este álcool ajuda a desenvolver o sabor e a textura do pão”. De acordo com ele, algumas marcas utilizam álcool em sua composição como conservante. O álcool atua como um agente antimicrobiano, ajudando a prolongar a vida útil do pão ao inibir o crescimento de mofo e outras bactérias. Isso pode ser especialmente útil em produtos de panificação embalados que precisam ter uma vida útil mais longa nas prateleiras dos supermercados. Por outro lado, algumas marcas podem optar por não usar álcool e, em vez disso, usar outros conservantes ou aditivos para alcançar uma vida útil semelhante. A escolha de usar ou não álcool pode depender de fatores como a filosofia de produção da empresa, regulamentações locais e preferências dos consumidores. De modo geral, o álcool presente nos alimentos não causa grandes problemas se consumido moderadamente. No entanto, pessoas com certas condições de saúde, crianças, grávidas e aquelas que evitam o álcool por motivos pessoais ou religiosos devem estar cientes da presença de álcool em alimentos e escolher suas opções alimentares de acordo. Trânsito O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) informou que tanto dirigir sob efeito de álcool - quando o teste do etilômetro aponta o índice de até 0,33 mg de álcool por litro de ar expelido - quanto resistir a soprar o bafômetro são consideradas infrações gravíssimas, segundo os artigos 165 e 165-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Em ambos os casos, o valor da multa é de R\$ 2.934,70 e o condutor responde a processo de suspensão da carteira de habilitação. Se houver reincidência no período de 12 meses, a pena é aplicada em dobro, ou seja, R\$ 5.869,40, além da cassação da CNH. Já nos casos de embriaguez ao volante, que ocorrem quando o motorista apresenta índice a partir de 0,34 miligramas de álcool por litro de ar expelido no teste do etilômetro, há configuração de crime de trânsito: se condenado, o motorista, além da multa e suspensão da CNH, cumpre de seis meses a três anos de prisão, conforme prevê a Lei Seca, também conhecida como “tolerância zero”.