Produtos à base de canabidiol começaram a ser oferecidos para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida já está valendo para todo o Estado, em 40 Farmácias de Medicamentos Especializados (FME). A princípio, os medicamentos são destinados para pacientes com síndrome de Dravet e de Lennox-Gastaut e complexo da esclerose tuberosa. A novidade foi anunciada pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria estadual de saúde (SES). No dia 7 de maio deste ano, foi publicada a resolução da Lei 17.618/2023, que instituiu a política estadual de fornecimento gratuito de medicamentos à base de canabidiol no SUS paulista. Nela foram apresentadas as diretrizes e orientações para o acesso aos produtos, e com isso foi possível determinar a distribuição deles. O deputado Caio França (PSB), autor da lei, comemorou o início da implantação da medida. “É a vitória da ciência, da vida e da boa informação que venceu qualquer tipo de fake news, preconceito e estigma. É um marco histórico para São Paulo e todo o Brasil. Tenho convicção do sucesso dessa política, que tende a ser ampliada com a finalidade de atender outras enfermidades em breve, posicionando o Brasil como referência mundial de acesso gratuito a estes medicamentos”, destacou França. Janaina, Douglas e o pequeno Murilo: remédio auxilia para regular as crises convulsivas do menino (Arquivo pessoal) O primeiro O guarujaense Murilo Lima Costa, de 4 anos, foi a primeira pessoa a ter acesso ao medicamento pelo SUS na Baixada Santista. Diagnosticado com a epilepsia do tipo síndrome de Lennox-Gastaut, ele conseguiu o remédio no dia 26 de junho na Farmácia de Medicamentos Especializados (FME) do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Santos. A mãe Janaina Costa da Silva, de 36 anos, conta que o filho sofre com crises convulsivas desde 1 ano e três meses de vida. Desde então ele realizava tratamento, mas o medicamento de que fazia uso já não estava controlando as crises. Só neste ano, Murilo passou por quatro internações. Na última, em 12 de maio, em pleno Dia das Mães, Janaina recebeu a orientação médica de que deveria tentar o tratamento com o canabidiol. “Eu já tinha visto muitas reportagens e pesquisas que diziam que essa substância era boa para regular as crises convulsivas e resolvemos tentar”, conta. Compra Numa corrida contra o tempo, Janaina relata que optou por comprar o primeiro frasco do remédio, que custou R\$ 760,00, para logo dar início ao tratamento. Após ficar 17 dias internado na Santa Casa de Santos, Murilo teve alta. A mãe recebeu toda a documentação preenchida pela médica e hospital e levou à farmácia para realizar a solicitação pelo SUS. “Nos entregaram mais uma ficha para ser preenchida pela médica e uma lista de exames recentes que precisava ser apresentada. Fizemos tudo isso e levamos no dia 26 de junho. Para nossa sorte, o medicamento estava disponível. Achei que ia demorar mais por ser burocrático”, relata. A segunda unidade do medicamento deverá ser entregue da farmácia de alto custo de Guarujá, onde a família mora. No momento, a prescrição é de que o garoto tome uma quantidade de 0,05 mililitros, duas vezes ao dia. Murilo segue em processo de adaptação. A mãe explica que a melhora nas crises poderá ser sentida depois dos primeiros 30 dias de uso, mas afirma que já sentiu uma diferença positiva na concentração do filho, que também é diagnosticado com autismo não-verbal. (Reprodução)