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Quinta-feira

6 de Agosto de 2020

Prefeitura de São Paulo fecha serviço para usuários de drogas na Cracolândia

Defensoria Pública entrou com ação para evitar fechamento

A Prefeitura de São Paulo usou ônibus para remover parte da população em situação de rua da região do Centro da cidade conhecida como Cracolândia. As pessoas estavam na unidade de atendimento emergencial (Atende 2), que fica na Rua Helvetia. O equipamento que disponibilizava banheiros, alimentação e pernoite foi fechado nesta quarta-feira (8). Uma parte dos que utilizavam os serviços foi levada para um novo equipamento construído no bairro Glicério, a 3 quilômetros de distância.

Em vídeos divulgados nas redes sociais pelo coletivo A Craco Resiste, é possível ver dois ônibus saindo lotados da porta do equipamento. Não houve ação da polícia ou qualquer tumulto na operação. Pouco após a saída dos veículos, centenas de pessoas voltaram a se concentrar na esquina da Alameda Dino Bueno com a Rua Helvétia.

Encerramento dos serviços

A prefeitura já havia fechado no ano passado outras duas unidades do Atende na região da Luz, no Centro paulistano, onde fica a aglomeração de pessoas em situação de rua e com uso abusivo de drogas conhecida como Cracolândia.

Segundo a administração municipal, essa população será atendida pelos Serviço Integrado de Acolhimento Terapêutico (Siat). Um dessas unidades já estava em funcionamento na Armênia, na Zona Norte, a 2 quilômetros do equipamento fechado nesta quarta. A outra fica no Glicério, para onde foram levadas as pessoas removidas na ação de hoje.

O objetivo da mudança, de acordo com a prefeitura, é “melhorar o atendimento no acolhimento e no tratamento da saúde da população de usuários de álcool e drogas em situação de vulnerabilidade e que já faz uso do serviço de atenção integral”.

O Siat oferece 200 vagas, com alimentação (três refeições), possibilidade de higiene pessoal e atividades socioeducativas. Também estarão abertas oficinas de artesanato, leitura, ioga e exercícios físicos.

Defensoria contesta

A Defensoria Pública de São Paulo, entretanto, entrou com uma ação civil pública para evitar o fechamento do serviço na Luz. No pedido, os defensores argumentam que o encerramento das atividades do equipamento deixará a população vulnerável desassistida durante a pandemia de coronavírus.

O texto destaca que o Atende é o “único equipamento público que tem oferecido, mesmo que de maneira precária, água, alimentação e banheiros para as pessoas em situação de rua no local, a maioria delas em situação de uso abusivo de álcool e outras drogas”.

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