No que depender da necessidade de conversar com as câmaras municipais para executar políticas de governo, os seis prefeitos eleitos no primeiro turno, na Baixada Santista, precisarão apenas do esforço de si mesmos e de seu secretariado para governar bem. O motivo é o índice de governismo nos legislativos, calculado com base nos partidos aos quais fazem parte os candidatos a vereador escolhidos no último dia 6. Na média, 82%, o equivalente a 73 das 89 cadeiras nesses municípios. No cálculo com que a Reportagem identificou as futuras bancadas de situação e oposição, consideraram-se os partidos e federações dos concorrentes eleitos e sua ligação com os candidatos a prefeito vencedor e os derrotados. Por esse critério, o prefeito de São Vicente, Kayo Amado (Pode), reeleito com a maior votação entre os postulantes ao Executivo vencedores na Baixada — 87,6% dos votos válidos, dos quais se abatem os nulos e em branco —, terá todos os 15 vereadores que assumirão em 1o de janeiro dentro de sua base. Caso único de governismo irrestrito na região, o Legislativo vicentino terá quatro vereadores do União Brasil, quatro do Podemos, dois do PSB, dois do PSD e um, cada, de MDB, PP e Republicanos. Essas seis siglas estavam na coligação de Amado. Coincidentemente, o segundo maior índice de governismo nas futuras câmaras será o de Bertioga. Ali, o vice-prefeito Marcelo Vilares (União), escolhido para suceder o prefeito Caio Matheus (PSD), teve também a segunda mais elevada proporção de votos na Baixada: 68,48% dos válidos. O Legislativo bertioguense terá dez de seus 11 vereadores ligados a Vilares: três do PSD, três do MDB, dois do PL e dois do União. Apenas um, em tese, será de oposição: é do Republicanos, partido do vereador Matheus Rodrigues, candidato não eleito à Prefeitura. Oito em dez Empatados com 80% de governismo na Câmara, estarão os prefeitos eleitos César Nascimento e Felipe Bernardo, ambos do PSD e que terão apoio de 12 dos 15 vereadores eleitos em cada cidade. Em Cubatão, uma curiosidade: os seis candidatos a vereador com maior votação são do PSD, que obteve sete cadeiras. Em Peruíbe, os dois concorrentes mais votados ao Legislativo são, teoricamente, futuros oposicionistas. O primeiro, do PL do candidato a prefeito Emer Jaoude, terceiro colocado na disputa. O segundo, do MDB do concorrente Gilson Bargieri, que por 81 votos perdeu a eleição ao Executivo para Felipe Bernardo. Maioria ampla Também com maioria na Câmara, contará o futuro prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), com 17 dos 23 vereadores eleitos (73,9% do total; deles, oito emedebistas). A exemplo de Kayo Amado, venceu no primeiro turno. O chefe do Executivo reeleito em Itanhaém, Tiago Cervantes (Republicanos), poderá dispor do apoio de sete dos dez vereadores eleitos (70%). Os opositores são de siglas ligadas ao seu principal adversário, Marco Aurélio Gomes (PL). Onde a eleição não terminou As três cidades nas quais a eleição para as prefeituras ainda está indefinida têm situações diferentes no que se refere ao apoio com que futuros prefeitos poderão ter nas câmaras. Duas delas estão em disputa em segundo turno. A maior é Santos, onde se decidirá, no dia 27, entre o candidato à reeleição Rogério Santos (Republicanos) e a deputada federal Rosana Valle (PL). Dos 21 vereadores santistas eleitos, três não estarão nem com Rogério nem com Rosana: os escolhidos por PSOL (uma) e PT (dois), por decisões partidárias, serão oposicionistas. Entre os outros 18, há 14 de partidos que integram a coligação de Rogério e quatro estão no PL de Rosana. Os níveis de governismo e oposicionismo, porém, não podem ser tidos como estáticos. Também em meio ao segundo turno, Guarujá tem, em sua Câmara, seis vereadores eleitos por partidos ligados a Raphael Vitiello (PP) e cinco, a Farid Madi (PDT). Outros seis, porém, são de legendas que já expressaram apoio a Farid — uma delas, o Republicanos do governador Tarcísio de Freitas, com um vereador. E há dois vereadores do PDT, que estavam unidos ao candidato a prefeito Marcelo Pepe dos Santos (PSB) e, em tese, podem aderir ao concorrente do PDT. Em fatias Em Mongaguá, ainda não se sabe quem será prefeito. O mais votado, Paulo Wiazowski Filho (PP), teve seu registro de candidatura indeferido e recorreu da decisão. Por ora, seus votos são considerados nulos. Ainda que ele tivesse sua votação validada, não disporia de maioria na Câmara: dos 13 vereadores eleitos, dois são de partidos coligados a ele, e dois, do PL, que lhe deu apoio informal. Há outros cinco vereadores de legendas unidas ao candidato Rafael Redó (Republicanos, terceiro colocado) e quatro ao concorrente Rodrigo Cardoso Biagioni, o Rodrigo Casa Branca (União, em segundo lugar). Como nenhum destes assumirá com uma eventual anulação definitiva dos votos de Wiazowski, que levaria à convocação de uma nova eleição, é incerto o que os vereadores eleitos farão. Antes, deverão pensar na composição da Mesa Diretora, pois, se até 1º de janeiro a situação de Paulinho não estiver definida, a Prefeitura será exercida por quem estiver na Presidência da Casa.