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Segunda-feira

10 de Agosto de 2020

Praias de Santos e São Vicente possuem alto nível de poluição, aponta pesquisa

Prévia de estudo, realizado pela Universidade Federal de São Paulo e Instituto Mar Azul, cita microlixo na região. Trabalho se concentra em seis pontos, entre a Ilha Porchat e Ponta da Praia

A concentração de microlixo faz das praias de Santos e São Vicente serem detentoras das mais altas classificações de níveis de poluição marítima, conforme o Índice da Costa Limpa (Clean Coast Index, ou CCI). É o que aponta a prévia de um estudo sobre a presença de resíduos na faixa de areia, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Instituto Mar Azul. 

Dividido em quatro fases – sendo uma em cada estação do ano – o estudo científico realizou neste final de semana a última etapa de coleta de dados. Seis pontos da baia de Santos – entre a Ponta da Praia e a Ilha Porchat – foram monitorados durante a ação, com objetivo de identificar a origem e o tipo de lixo presente na orla. 

Contudo, dados preliminares das três ações anteriores já mostram que as praias santistas e vicentina atingem as mais altas categorias de contaminação por microlixo – materiais manufaturados com menos de 50 centímetros. “Com base ao volume recolhido, quantificado e qualificado, a orla da baia de Santos recebe as classificações de sujo e muito sujo, conforme os parâmetros internacionais da CCI”, destaca o pesquisador e docente da Unifesp, Ítalo Braga de Castro. 

Usado como padrão mundial para medir a poluição por lixo marinho em praias, o parâmetro estabelece cinco níveis conforme a concentração de número de itens plásticos e demais poluentes por metro quadrado – sendo muito limpo, limpo, moderado, sujo e muito sujo. “São substâncias que oferecem risco à diversidade marinha e até mesmo aos frequentadores das praias”, resume o diretor-presidente do Instituto Mar Azul, Hailton Santos. 

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o estudo identificou que sete de cada dez quilos de lixo retirados da faixa de areia são de plástico (40%) e bituca de cigarro (30%). Santos destaca que pela concentração de mais de 4,7 mil substâncias tóxicas, a presença das bitucas inspira cuidados. “Seja pelo contato com a pele de crianças que brincam na areia ou o risco de a maré ou chuvas levarem para o mar, há a possibilidade de contaminação”, diz. 

Além dos dois poluentes, Castro chama atenção para a presença material perfurocortante, como pedaços de vidro e de metal nas praias monitoradas. 

Mudança Cultural

Para reverter o cenário atual, os pesquisadores indicam que mudança cultural dos frequentadores das praias santista e campanhas de conscientização ambiental.

“O resultado da pesquisa pode contribuir para a elaboração de uma política pública (para reduzir o problema) mais acertiva, tendo como base dados científicos”, continua Castro.

Um projeto-piloto com base aos dados similares está em curso em Santos. Desde o mês passado, dois comerciantes de faixa de areia – sendo um do Canal 2 e outro no Canal 5 – auxiliam nas ações de fomento à educação ambiental.

Eles fazem a distribuição de lixeira e bituqueira de bambu. Para reduzir a dependência de material descartáveis, taças e copos retornáveis serão utilizados, e os canudos passam a ser feitos com produtos compostáveis – feitos de uma mistura de mandioca, milho e óleos vegetais que, após o uso, são utilizados como adubo. “A limpeza da praia tem caráter econômico, já que o turismo é uma das principais fontes de renda”, finaliza Santos.

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