Médicos cogitam greve após não receberem salário em Praia Grande (Vanessa Rodrigues/AT) Os médicos do Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, denunciam a falta de pagamentos da SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, organização social de saúde responsável pela gestão da unidade. O prazo para os repasses venceu no último dia 29 de fevereiro, no entanto os profissionais não foram remunerados e seguem trabalhando. Uma paralisação é cogitada a partir desta terça-feira (18). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com um médico do hospital, que não quis se identificar, o contrato da Administração Municipal com a SPDM venceu em dezembro. Apesar disso, uma nova licitação está em curso e um contrato emergencial foi feito até que seja liberada a nova licitação. “Ocorre que a associação não repassou os valores dos plantões e visitas realizadas no mês de dezembro de 2024, alegando que o repasse da Prefeitura não fez frente às despesas. Além de não pagar o salário, ainda alega que não tem recursos para isso, e não oferece um prazo para esse pagamento e, pior, fala que há o risco de não recebermos esse mês trabalhado se não houver um repasse pela Prefeitura”, explica o profissional. A Prefeitura, por outro lado, alegou aos médicos que efetuou todos os repasses à SPDM. Revolta Para o médico, a situação é revoltante. “O primeiro sentimento é de indignação, pois não é possível trabalhar sem receber. O segundo, de desrespeito, por não haver nenhuma comunicação oficial sobre o porquê não pagaram e quando vão acertar o pagamento. Antes de iniciarmos o movimento, o que nos chegou extraoficialmente é que não iriam pagar, pois o contrato referente ao mês de dezembro acabou. Só iriam pagar de janeiro em diante”, desabafou. Paralisação De acordo com profissionais do hospital, a falta de pagamento acarretará na paralisação dos atendimentos. “Nossa ideia é, a partir desta terça-feira (18), iniciar a paralisação das atividades, mantendo apenas os atendimentos emergenciais. Protocolamos um documento na diretoria da SPDM e no CRM, comunicando de forma oficial a posição dos médicos”, revelou o profissional. Apesar disso, o médico afirma que os profissionais da unidade de saúde esperam não precisar paralisar as atividades. “Esperamos não precisar pois sabemos o transtorno que causa à população. Mas também não podemos ficar um mês sem salário e não fazer nada”. Entenda o impasse A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina é uma Organização Social de Saúde (OSS) que gerencia hospitais, unidades de pronto atendimento (UPAs) e outros serviços médicos em parceria com administrações municipais e governos estaduais. Em Praia Grande, ela é responsável pela gestão do Complexo Hospitalar Irmã Dulce (CHID), que inclui o Pronto-Socorro Central, o Pronto-Socorro do Samambaia, o Nefro-PG e o próprio hospital. Para isso, ela terceiriza empresas médicas, que assumem a prestação de serviços especializados. Esse fenômeno é chamado de quarteirização. No entanto, como explica outro médico ouvido por A Tribuna, os profissionais que atuam nessas unidades de saúde são obrigados a entrar como sócios dessas empresas e não são diretamente contratados. “A Prefeitura alega que pagou a SPDM, mas a organização relata que, apesar de ter recebido os valores, enfrentou um déficit financeiro e não teve recursos para repassar às empresas médicas. Como as empresas só pagam os médicos após receberem da associação, os salários ficaram travados", explicou o profissional. Entre as justificativas apresentadas pela Associação Paulista para o atraso estão o fim do contrato anterior em dezembro, a nova licitação em andamento, o fato de as contas não terem fechado corretamente e a falta de reajustes no contrato nos últimos seis anos. Em nota, a organização afirmou estar em diálogo com o município para viabilizar os pagamentos referentes apenas ao mês de dezembro de 2024. Quanto ao salário de fevereiro, a associação não se posicionou. Auditoria Os médicos, com o auxílio de um vereador da cidade, vão solicitar uma auditoria dos contratos da SPDM na Câmara Municipal de Praia Grande, nesta terça-feira (18). O objetivo é buscar esclarecimentos sobre a administração dos recursos públicos destinados à organização. Outras polêmicas O Hospital Irmã Dulce esteve envolto em polêmicas em fevereiro deste ano. Durante a onda de calor que atingiu a região, a instituição sofreu apagões durante dois dias, fazendo com que os pacientes denunciassem a falta de água e insumos. Outra instituição gerenciada pela SPDM também sofreu com atrasos nos pagamentos dos salários dos médicos. Os profissionais do Pronto-Socorro Central de Praia Grande reclamaram com a falta de pagamentos dos salários nos meses de março e abril do ano passado. Na época, os profissionais de saúde explicaram que foi acordado o pagamento até o dia 30 de junho, o que não aconteceu. O caso segue gerando preocupação entre os profissionais de saúde e pacientes que dependem dos serviços da unidade. A expectativa é que a associação efetue o pagamento e solucione o problema.