O aumento da gasolina anunciado pela Petrobras na última segunda-feira, de 7,1%, equivalente a R\$ 0,20 por litro, começa a ser praticado em alguns postos da Baixada Santista, conforme A Tribuna apurou. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos quatro estabelecimentos visitados pela Reportagem, os preços variaram de R\$ 5,09 a R\$ 6,29 para a gasolina comum. Já a aditivada estava entre R\$ 5,49 e R\$ 6,35. No caso do etanol, o litro custou entre R\$ 3,59 e R\$4,49. O último levantamento semanal no Painel Dinâmico de Preços de Combustíveis e Derivados de Petróleo, no site da Agência Nacional de Petróleo (ANP), é de 26 de junho. Nesse balanço, o litro da gasolina comum em Santos era vendido por R\$ 5,68. Já a aditivada tinha preço médio de R\$ 5,99, e o etanol, R\$ 3,76. De acordo com o gerente de um posto no Bairro Aparecida, Yuri Chagas, o repasse do aumento ao consumidor final é inevitável. “Vai ter que ser repassado, porque é entre refinaria e distribuidora. A cadeia é automática. A conta acaba chegando ao cliente”, avisa. No posto, os preços atualizados já estão em vigor. O engenheiro João Paulo Abreu, de 40 anos, que abasteceu o carro ontem, diz que já esperava o aumento. “Pelo aumento do dólar, era esperado que houvesse esse impacto. Mas a Petrobras e o Governo Federal vêm segurando. Em algum momento, ia vir”. O entregador Gabriel Tales, enquanto abastecia sua moto na Vila Belmiro, não escondeu a insatisfação com o reajuste. “Fica pesado no bolso. A gente que trabalha com transporte o dia todo sente bastante”, afirma. “Para quem abastece quatro vezes por semana e gasta R\$150,00, agora vão R\$ 200,00”. O motorista de aplicativo Erick Bittencourt da Silva, que abastecia no Centro de Santos, diz sentir os efeitos do reajuste. “É absurdo, porque a pessoa já está na dificuldade, recebe valores baixos, e a gasolina que é obrigatória para podermos trabalhar ainda sobe”. Gás O gás de cozinha, também majorado pela Petrobras, tinha preço médio, em Santos, de R\$ 114,39 no último dia 26, segundo o levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Uma distribuidora no Marapé, hoje, comercializa o botijão de 13 kg entre R\$ 130,00 e R\$ 140,00 para retirada. “Todo aumento é sempre ruim. Porque, para a gente repassar o aumento aos clientes, que é a parte mais difícil, a resposta deles sempre é de reclamação” conta o proprietário Luiz Felipe Nogueira, que trabalha com três das principais marcas (Consigaz, Liquigás e Ultragaz). Ele conta que o aumento do mês passado foi de R\$ 5,00. “Agora também foi de R\$ 5,00. Então, no prazo aí de dois meses, foram R\$ 10,00 de aumento”. Setor diz ser difícil evitar reajuste Entidade que representa os postos de gasolina, o Sindcombustíveis Resan reforça que qualquer aumento de preço de combustível é negativo não só para o setor, mas também para a economia como um todo. “Quando há aumento do preço de custo da mercadoria, necessariamente precisa ser repassado para o preço final, até porque as margens de revenda dos postos estão bem comprimidas por conta do mercado que está poluído por concorrentes não muito ortodoxos. Não há como o setor segurar esse aumento e aí, infelizmente, nem sempre os repasses para o preço final do produto acompanham o mesmo aumento que vem das distribuidoras”, diz o presidente do Resan, José Camargo Hernandes. Segundo ele, a grande maioria das vendas hoje ocorre com cartão de crédito, em sistemas de cartão de frota das empresas, e o recebimento desses valores se dá com 30 até 40 dias. “Enquanto isso, a gente está pagando para a distribuidora, na média, com sete dias. Ou seja, eu compro o produto hoje, daqui a sete dias pago a minha distribuidora e só vou recebendo o cartão de crédito daqui a 30 dias ou mais”. Hernandes reforça que os preços praticados pelas distribuidoras não seguem só o aumento de preços da Petrobras. “Na formação de preço da distribuidora para o posto, além do preço da gasolina A, que é a gasolina pura, há a mistura do etanol anidro, que entra na composição com 27%. E esse etanol está subindo semanalmente”. O presidente do Resen afirma que era um aumento esperado, até porque há um acompanhamento dos preços internacionais em relação ao mercado interno. “Além do preço dos derivados no mercado internacional, a variação do dólar pesa”.