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Sábado

19 de Outubro de 2019

Número de casos de sarampo na Baixada Santista tende a estabilizar, diz especialista

Infectologista Evaldo Stanislau analisa cenário atual da doença na região, que já registrou 108 casos

Confirmados em 20 de fevereiro, os primeiros 13 casos de sarampo em passageiros do navio MSC Seaview desencadearam um surto da doença em um cenário regional. Entretanto, a tendência é que o número de casos se estabilize. Em entrevista para A Tribuna On-line, o infectologista Evaldo Stanislau falou sobre o surto da doença na região.

Na Baixada Santista, 108 casos da doença foram confirmados e todos os municípios têm, ao menos, uma pessoa que contraiu o vírus. O médico aponta a possibilidade de que apenas os casos que estejam sendo investigados pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, sejam confirmados, não havendo um aumento relacionado a novos casos. "Não imagino que vamos ter um aumento significativo. Após o início do surto as pessoas passaram a se vacinar, então a tendência é diminuir", comenta.

Para o infectologista, o novo surto do sarampo pode estar associado aos movimentos antivacina e mutações da doença. "Esse fenômeno é discutido em todo o país e no mundo. Percebemos que muitas pessoas não tomaram as duas doses. Estes casos não aconteceram somente na região, como em todo o mundo", comenta Stanislau.

A doença é caracterizada pela febre, dores no corpo, manchas vermelhas e conjuntivite. Entretanto, estudiosos apontam que os sintomas do atual surto da doença atingem as pessoas de maneira mais branda."Conversando com médicos mais velhos, notei que os casos da doença são diferentes do sarampo clássico. Eles têm uma apresentação clínica mais branda", esclarece o médico. Os sintomas apresentados pela doença hoje aparecem de modo mais discreto, consequência de uma possível mutação.

A doença é transmitida por vias respiratórias. Pessoas infectadas com o vírus conseguem infectar por meio da tosse, espirro, ou fala próximo a outras pessoas. Já o vírus pode ficar suspenso por até 2h no ar.

"Um exemplo é o elevador. Se uma pessoa com sarampo pega o elevador com demais pessoas, ou estas entrem depois dela, podem ser infectadas porque o vírus chega a ficar suspenso por até duas horas. Essa secreção pode ficar na superfície. Eu encosto a mão e levo a boca, contaminando as vias respiratórias", finaliza.

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