O Censo 2022 do IBGE mostrou que o Brasil é um país majoritariamente feminino. Somos 203 milhões de habitantes, sendo 104,5 milhões de mulheres, e 98,5 milhões de homens. Pois essa condição pode ser decisiva numa eleição. Não à toa, o voto feminino é disputado de maneira acirrada em várias esferas de poder e, para o pleito municipal de outubro, não será diferente. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na Baixada Santista, as mulheres representam 53,8% dos eleitores (782.270 votantes), contra 46,1% dos homens (669.072 eleitores). O índice é ligeiramente superior ao verificado no Estado, de 52,97% (mulheres) e 46,99% (homens). Na região, todos os nove municípios tem preponderância feminina em relação ao eleitorado masculino. Maior colégio eleitoral da Baixada, Santos tem, em particular, um índice ainda maior que o verificado regionalmente: 55,24% de eleitoras (195.369), contra 44,67 % do gênero masculino (158.003). Perfil E quem é essa mulher que vai às urnas? A Tribuna procurou duas cientistas políticas para tentar entender o que pensam as eleitoras. Preocupações com educação, saúde e violência, por exemplo, estão entre as prioridades. “Mulheres são, de maneira geral, muito sensíveis às questões que dizem respeito à saúde, não só da mulher, mas das crianças. Porque, de maneira geral, esse cuidado da casa, com as crianças, com os idosos, com a saúde da família, fica a cargo das mulheres. A questão das crianças é outra preocupação. Há uma sensação de insegurança que é permanente. a gente vive num país que tem altos índices de violência. e há uma sensação de insegurança que é permanente. Assim, o olhar diz respeito, sobretudo, à proteção das crianças e dos adolescentes”, afirma a professora, historiadora e cientista política Clara Versiani. Para ela, fatores como escolaridade, ocupação, papel social e classe econômica dessa mulher também devem ser considerados. “Mesmo as confissões religiosas podem influenciar no comportamento do eleitor ou da eleitora. Pode haver mulheres que se engajem mais na questão da representatividade feminina, mas creio que não haveria propriamente uma predileção, considerando que a maioria do eleitorado é feminino”, acrescenta. Polarização Já a cientista política e jornalista Christiane Disconsi entende que o comportamento de voto feminino, assim como o voto em termos gerais, apresenta um grau significativo de polarização. “A sociedade está dividida entre diferentes bandeiras: de um lado, valores conservadores que defendem a família tradicional e, de outro, pautas progressistas que incluem a igualdade salarial, o combate à opressão de gênero, a liberdade sexual e o combate à violência doméstica. Além disso, temas polêmicos como o aborto e questões de raça também fazem parte do debate atual”, avalia. Para ela, as mulheres, muitas vezes ainda consideradas minorias subrepresentadas na política, encontram maior acolhimento de suas demandas nas candidaturas de esquerda, que frequentemente defendem direitos e igualdade de gênero. Por outro lado, candidaturas de direita costumam atrair mulheres que priorizam a defesa da família, educação, bons costumes e a segurança pública. “Há mais do que um equilíbrio, mas uma divisão de pautas na polarização de ideias, proporcionando um espaço para o debate de diversos temas relevantes para as mulheres e a sociedade em geral. Essa diversidade de pontos de vista é importante para a construção de uma democracia inclusiva e representativa, se o diálogo for parte desses debates”, complementa.