Operações como a de subida e descida são pontos que preocupam os motoristas (Reprodução/Ecovias) Segurança, acidentes, carretas e radares são as maiores preocupações relatadas pelas pessoas do litoral de São Paulo que utilizam o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) para se deslocar da Baixada Santista, especialmente durante as operações de 'subida' e 'descida'. Os usuários do sistema afirmam que, ao descer pela Anchieta, há a sensação de que caminhões, carretas e veículos de grande porte não os enxergam, o que causa desconforto tanto para quem está ao volante quanto para os passageiros. A Ecovias cita que esses modelos são implantados apenas quando necessário. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A balconista Rebecca Tedesco, de 24 anos, relata que voltou da capital paulista na madrugada desta segunda-feira (27) e teve que descer pela única opção disponível. “Desci por volta da 0h40, acreditava que a operação de subida já tinha acabado e fiquei esperando em São Paulo justamente para não descer pela Anchieta", conta. Rebecca continua dizendo que nunca se sente completamente segura com as condições oferecidas pela pista. “Por ser domingo, a estrada estava até que vazia, mas é justamente nesse momento que alguns motoristas imprudentes, tanto de veículos leves quanto de caminhões, se sentem mais à vontade para ultrapassar os limites". Em relação às ultrapassagens, Rebecca explica que tenta ao máximo não passar ao lado de carretas e acredita que é horrível dividir a faixa com esses caminhões, devido à estreiteza da pista. O porteiro Marcos Antônio Santana, de 21 anos, diz à reportagem de A Tribuna que se sente completamente inseguro com as carretas e os acidentes que já presenciou na pista. “As carretas não respeitam as faixas e acabam utilizando a faixa da esquerda para trafegar", alega. Marcos se lembra de um acidente que presenciou na rodovia, quando uma carreta estava em alta velocidade, tentou frear, mas acabou colidindo com uma mureta do lado esquerdo. “A via é muito estreita e a iluminação é deficiente. Isso faz com que a pista deixe a desejar". O advogado Hélio Marcos, de 51 anos, relata que seus maiores receios ao descer a serra pela Anchieta são: neblina, assaltos em feriados prolongados e os caminhões. Segundo ele, os radares estão muito próximos às vegetações, o que dificulta a visibilidade dos motoristas, impedindo-os de enxergar e respeitar os limites de velocidade. "Entendo que a velocidade estipulada pelas autoridades é correta, pois não dá para descer acima disso com segurança". Para o estudante Daniel Gonzalez, de 20 anos, a pista é bem sinuosa e estreita, e as carretas são obrigadas a invadir o lado esquerdo da pista. “Carretas longas precisam invadir a outra faixa nas curvas. Acredito que a presença de carros de passeio junto com caminhões de grande porte na descida da Anchieta nos traz insegurança nessas condições". Posicionamento A Ecovias, que, por meio de nota, enfatiza que as operações especiais, que disponibiliza um maior número de faixas de rolamento no sentido com maior volume de tráfego, têm como objetivo equilibrar o movimento de veículos entre as rodovias Anchieta e Imigrantes e garantir a maior fluidez possível, tanto para quem desce ao litoral quanto para quem segue em direção à capital. Segundo a empresa, esses modelos operacionais fazem parte das obrigações contratuais acordadas entre a Ecovias e a Agência de Transporte de São Paulo (Artesp). A concessionária ressalta que as operações são implantadas apenas quando realmente necessárias, ou seja, quando o fluxo de veículos em um dos sentidos é muito superior ao do outro. No caso da Operação Subida (2x8), a implementação ocorre quando o volume de veículos com destino à capital ultrapassa 6 mil veículos por hora, e há grande número de veículos ainda na Baixada Santista. Outro critério é que o tráfego no sentido do litoral seja inferior a 2,8 mil veículos por hora. Por fim, a Ecovias destaca que essa operação não visa apenas melhorar a fluidez do tráfego para os turistas que retornam à capital, mas também é essencial para evitar o travamento do trânsito nas cidades da Baixada Santista. Caso o tráfego não seja absorvido rapidamente pela rodovia, os veículos acabam sendo estocados nas vias urbanas.