Pescadores abandonam e despejam restos de peixes na faixa de areia (Acervo pessoal) Um grupo de pescadores está ocupando a orla da praia na Vila São Paulo, em Mongaguá, há dois meses e cria sérios problemas para a comunidade. Os moradores da área denunciam que os pescadores destruíram parte das obras recém-concluídas de revitalização da orla e ainda estão descartando restos de peixe na faixa de areia, além de ocupar o espaço voltado aos banhistas. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma moradora da região, que não quis se identificar, conta que notou a presença dos pescadores e de um barco na praia há dois meses, por volta do começo das obras de revitalização da orla de Mongaguá. Recentemente, a mulher se deparou com o grupo ainda na praia. "Fui falar com os moradores e me disseram: 'Esse barco está aí faz tempo e ninguém consegue tirá-lo daqui". Diante disso, a munícipe conta que, assim como outros moradores e comerciantes locais, denunciou o caso à Guarda Civil Municipal (GCM) e à Prefeitura, mas não obteve resposta clara sobre o que seria feito. Barco de pescadores ocupa área de construção da orla (Acervo pessoal) Além de ocupar a faixa de areia e atrapalhar o lazer dos banhistas, os pescadores alocaram o barco na lateral do prédio da munícipe, na Avenida Márcio Covas Júnior, em frente à praia. "Ele ficou estacionado na lateral do meu prédio durante dias. O barco é bem grande. A gente quase não conseguia entrar na garagem", conta a moradora. -Veja o vídeo (1.423183) O grupo de pescadores também tem atrapalhado a rotina dos trabalhadores que atuam na revitalização da orla, ocupando a área de obras e impossibilitando que os trabalhadores retirem areia do canteiro, por exemplo, além de quebrar o calçadão recém-construído. A munícipe que denuncia o fato afirma que o incidente aconteceu quando os pescadores foram retirar o barco da lateral de seu prédio para ir ao mar. "No trajeto que o barco fez, a orla foi danificada. Os caras (trabalhadores) começaram a tirar os tijolinhos e as pedras da orla quebrada. Eles disseram que vão arrumar, mas foi o barco que quebrou". De volta à orla, os pescadores saem do mar com o barco cheio de peixes, colocam um pano sobre a mureta da orla, pegam seus fações e ali mesmo começam a limpar os pescados, retirando suas cabeças e tripas. Nesse processo, os restos descartados acabam caindo na faixa de areia, gerando cheiro ruim e atraindo animais com fome. Moradora flagra momento em que pescador corta as cabeças e retira as tripas de peixes na orla da praia. Ao lado, o calçadão quebrado pelo barco (Acervo pessoal) A moradora diz que esse descarte irregular acontece com frequência, o que tem prejudicado o negócio de um quiosque próximo. As cadeiras de praia que antes rodeavam todo o quiosque geralmente têm ficado somente de um lado, longe do barco e dos pescadores, devido ao temor do comerciante de que alguém corra risco de contrair uma infecção ou se machuque pisando nos restos de peixes e nas ferramentas, como redes e arpões, que os pescadores deixam na areia. Os pescadores amarram o arpão usado no mar ao lado do barco (Acervo pessoal) Neste sábado (15), cansado do prejuízo financeiro que vinha tendo, o dono do quiosque preencheu o entorno com as cadeiras de praia que logo foram sendo ocupadas. Os banhistas, que já sabiam da situação e que também não aguentam mais o mau cheiro dos restos de frutos do mar, decidiram protestar à sua maneira e cercaram o barco dos pescadores com cadeiras e guarda-sóis, para impedir que o grupo continue com a rotina que afeta a todos. "Eles não têm como passar", comenta a moradora. A reportagem de A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura de Mongaguá, para um posicionamento sobre a situação, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.