Muitas crianças precisam do atendimento, por não conseguirem pagar pelas consultas (Divulgação/Prefeitura Municipal de Peruíbe) Diversas mães têm encontrado dificuldades para que os filhos sejam atendidos no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (Capsi), em Peruíbe, Litoral de São Paulo. Algumas delas precisaram pagar por consultas particulares para as crianças terem um diagnóstico, mas ainda aguardam por consultas do serviço público. Outras mães não possuem condições financeiras, e ainda esperam a avaliação para diagnóstico dos pequenos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma mãe, que preferiu não ser identificada, possui dois filhos com situações diferentes. A menina, que possui três anos, foi indicada pela escola, em julho de 2023, para realizar um diagnóstico, por conta do comportamento que apresentava em sala de aula. Após a demora para a marcação da consulta, a mulher foi aconselhada por um psicólogo da educação, que sugeriu que ela pagasse por um diagnóstico, visando agilizar o processo para o tratamento da filha. “O psicólogo falou que se eu tivesse condições de passar no neurologista, ia adiantar. Só que não adiantou nada, porque eu passei no neurologista particular e adiantou para eu saber o que a minha filha tinha, mas quando eu fui ao Capsi, mandaram eu esperar e até agora nada”. Essa espera dura desde novembro de 2023. Por outro lado, o filho de oito anos desta mãe está com o caso em investigação. “Meu filho foi encaminhado pela escola desde o ano passado e ainda não veio o psicólogo na escola para fazer o primeiro contato”. Ela acrescenta ainda que as clínicas particulares também têm fila de espera, devido a demanda de pacientes das cidades de Peruíbe e Itariri. Uma outra mãe, que também precisou contratar um serviço particular para o filho ter um laudo, contou que há muita demora entre as consultas. “Ele (filho dela) passava a cada 15 dias na fonoaudióloga, mas desde a saída dela, estou esperando há 20 dias para marcar o retorno”. O menino possui cinco anos de idade, foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), e está em tratamento há quase três anos. A demora no atendimento dificulta a relação com a escola, que precisa ser compreensível com os pais das crianças que possuem alguma condição mental especial. “A escola pública exige que a gente tenha laudo (da criança), que a criança esteja sendo tratada”. Além disso, a mulher ressalta que problema vem sendo enfrentado por todas as mães. “Não é pelos profissionais (a reclamação), mas pela demanda de crianças que tem em espera, e a necessidade de mais profissionais para atender”. Ela também comentou que há cerca de um profissional especializado em cada área, como terapeuta ocupacional, para atender todas as crianças. Em um terceiro caso, a mãe disse que o filho possui o laudo médico desde 2021, mas só está tendo um bom desempenho no tratamento por conta de sessões particulares. “Ele (meu filho) passa a cada 6 ou 8 meses, mas só para regular medicação". Ela também comentou como se sente com toda a situação que as mães têm passado com seus filhos em Peruíbe. “(Me sinto) Indignada, temos crianças que precisam e não têm condições de pagar por esses tratamentos, e quanto mais o tempo passa, mais se agrava a situação”. Resposta A Secretaria Municipal de Saúde de Peruíbe informou que a unidade conta com uma equipe multiprofissional composta por médicos (neuropediatra e psiquiatra infantil), psicólogos, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, assistente social, enfermeiro, nutricionista e técnico de enfermagem. O órgão também acrescentou que tem referência pelo Estado por meio do Centro Especializado em Reabilitação (CER) de Praia Grande (equipe multidisciplinar) e no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) estadual de Praia Grande (neuropediatria), porém, as vagas são limitadas nestes serviços. "Visando ampliar esforços para aumentar a equipe, a Prefeitura realizou processos seletivos para profissionais de psicologia e fonoaudiologia, como estratégia para ampliar os atendimentos aos usuários do serviço, porém, não houve candidatos aprovados interessados em assumir a vaga para o cargo de fonoaudiologia", diz o município. Além disso, a gestão municipal abriu concurso público este ano para buscar ampliação de vagas com profissionais efetivos, sendo que a prova foi aplicada no dia 9 de junho deste ano, e ainda possui etapas a serem superadas até a sua homologação final e convocação de novos profissionais.