As iniciativas fazem parte do Plano de Adaptação e Resiliência Climática da Semil, que inclui um eixo específico voltado para a proteção das zonas costeiras (Divulgação / Fundação Flroestal) O Governo de São Paulo iniciou uma intervenção emergencial em Barra do Una, na região de Peruíbe, no litoral sul, visando frear o avanço do mar e reduzir os impactos da erosão costeira. A ação conta com a colaboração da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Fundação Florestal, Instituto de Pesquisas Ambientais, SP Águas, além da Defesa Civil, da Prefeitura e da comunidade local. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As iniciativas fazem parte do Plano de Adaptação e Resiliência Climática da Semil, que inclui um eixo específico voltado para a proteção das zonas costeiras. Entre as medidas já implementadas, destaca-se a construção de uma barreira utilizando rochas, com o objetivo de conter o avanço da água e a degradação do solo. Técnicos da SP Águas estiveram no local avaliando a aplicação de técnicas de encabeçamento para estabilizar áreas críticas, que envolvem a construção de estruturas de proteção com pedras ou blocos de rocha. A secretária da Semil, Natália Resende, realizará uma visita técnica à região nesta semana, reafirmando o compromisso do Governo de São Paulo com a segurança das famílias e a preservação dos ecossistemas costeiros. A ação emergencial destaca o esforço conjunto dos órgãos estaduais e municipais para enfrentar os desafios impostos pelo avanço do mar, garantindo a segurança da comunidade e a continuidade das atividades sustentáveis na área. Erosão costeira A erosão costeira é um fenômeno natural que afeta as zonas costeiro-marinas, impactando também o litoral sul de São Paulo. O avanço do mar causa a perda de áreas de praia, prejudica a vegetação de restinga e ameaça edificações próximas. De acordo com especialistas, a principal causa da erosão em Barra do Una foi a migração da desembocadura do Rio Una do Prelado para o norte, lembrando que as barras de rios são dinâmicas e estão em constante alteração. Além disso, eventos climáticos extremos ocorridos nos últimos anos intensificaram o processo erosivo em uma parte da praia. A ação emergencial na Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Barra do Una também visa proteger as quatro famílias que residem na área, que correm o risco de realocação devido aos perigos crescentes causados pelo avanço do mar. Diante da ameaça provocada pelo avanço do mar, que atingiu a via de acesso às residências e comprometeu postes de energia e moradias, foram tomadas medidas emergenciais para reforçar as estruturas. Inicialmente, materiais rígidos foram usados para fortalecer os acessos. Contudo, as marés altas recentes deslocaram parte desse material para a faixa de areia, e a Prefeitura, com o apoio da Fundação Florestal, está reposicionando os insumos para garantir a recuperação dos acessos enquanto outras ações de mitigação são implementadas. Técnicos da SP Águas, com base em estudos de batimetria e monitoramento com drones RTK de alta precisão, estão avaliando a possibilidade de desassoreamento dos canais estuarinos e da foz do Rio Una, que migrou para o norte devido à dinâmica natural dos cursos de água e à formação de um esporão arenoso. Essas ações visam realinhar o curso do rio e reduzir a pressão erosiva sobre a margem esquerda. Fundação Florestal Desde 2020, a Fundação Florestal tem desempenhado um papel essencial no monitoramento e na gestão ambiental da região. Utilizando drones para capturar imagens aéreas detalhadas, a equipe coleta dados importantes para entender o processo erosivo e planejar intervenções eficazes. A colaboração da comunidade local tem sido fundamental, com moradores relatando mudanças significativas, especialmente após eventos de ressaca. Além do monitoramento, a Fundação Florestal tem adotado soluções baseadas na natureza para dissipar a energia das marés e proteger a vegetação de restinga. Uma estrutura implementada em novembro, com cercamento de bambus, demonstrou resultados positivos na proteção da vegetação, enquanto áreas sem essa proteção sofreram maiores danos durante eventos climáticos no início de dezembro. Como resultado, optou-se pelo empilhamento de material vegetal, preservando a integridade das áreas costeiras. Simultaneamente, está sendo elaborado, junto ao Conselho Deliberativo da Reserva Ecológica Juréia-Itatins, com a participação da comunidade, do poder público e de pesquisadores, um Plano Comunitário de Adaptação à Erosão Costeira. Este plano estabelecerá diretrizes e ações permanentes para enfrentar o problema de maneira sustentável, integrando estudos técnicos e a experiência prática acumulada no local.