Ilha Anchieta, em Ubatuba, foi de prisão de segurança máxima para atração turística badalada (Divulgação) A Ilha Anchieta, que já foi prisão de segurança máxima, se tornou restaurante e hostel. Localizada em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, ela conseguiu mudar seu passado histórico para hoje receber a visita de inúmeros turistas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Anchieta é a segunda maior ilha do estado, com aproximadamente 826 km². Em 1942, passou a abrigar os criminosos mais perigosos, transformando-se em uma penitenciária de segurança máxima. Também foi o cenário de uma das rebeliões mais violentas do Brasil, que resultou na morte de 25 pessoas e ficou conhecida como a 'Chacina de Anchieta'. Atualmente, a ilha conta com alguns meios de hospedagem: dois hostels com quartos privativos e coletivos, além da opção de alugar uma casa para a temporada. As hospedagens ficam no mesmo lugar onde funcionavam unidades de saúde e uma escola, na época em que a ilha ainda era um presídio. História da Ilha Anchieta Em 1942, a ilha se tornou sede do Instituto Correcional, prisão para os bandidos mais perigosos da época. O espaço foi escolhido para afastá-los da população. A segurança da Ilha Anchieta era feita por 49 militares da Força Pública e 22 guardas de presídio. No entanto, os vigilantes não podiam portar armas de fogo. Devido ao isolamento, calor e umidade do local, os presos enfrentavam condições de saúde precárias e frequentemente reclamavam. Além disso, havia relatos de tortura, intensificados pela distância do continente e pela falta de monitoramento. Em 1947, o secretário de Segurança Pública, Flodoaldo Gonçalves Maia, visitou o presídio para tentar controlar a crescente violência. Em 1952, o local foi cenário de uma das maiores rebeliões do país, quando os presos desarmaram um soldado, invadiram as residências dos militares e fizeram todos reféns. Todas as celas foram abertas e alguns prisioneiros conseguiram fugir em uma lancha usada para transporte. O resultado foram 25 mortos, incluindo 15 presos e 10 agentes estatais. Dos 129 fugitivos, 108 foram recapturados e seis desapareceram. Em 1955, os últimos detentos foram transferidos para a Casa de Custódia de Taubaté, e a prisão da Ilha Anchieta foi oficialmente fechada.