Onda de calor não tem afetado a Baixada Santista, de acordo com climatologista (Vanessa Rodrigues/AT) A “sorte” da Baixada Santista, que tem escapado das ondas sufocantes de calor, tem um preço: o aumento da incidência da neblina de mar, também conhecida como nevoeiro de mar, por longo período e em diversas faixas horárias. É o que pensa o especialista em Climatologia e Agrometeorologia Rodolfo Bonafim, da ONG Amigos da Água. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Para ele, a bolha de calor da região Centro-Oeste está mais intensa do que em outros anos, devido às mudanças climáticas, que tendem a piorar o calor, e devido ao aumento da incidência das queimadas em incêndios florestais. “Isso fez com que esse calor a mais pressionasse a umidade toda aqui para o litoral. Então, a umidade que veio das frentes frias, praticamente ficou retida aqui entre a serra e o mar. Assim, essa neblina mais intensa nesse ano é devido à mudança climática”, afirma o climatologista. Ele lembra que a chamada neblina de mar ou nevoeiro de mar é normal na Baixada Santista - vem desde o litoral de Santa Catarina até Bertioga, mas de forma sazonal. “Houve vários dias que a neblina se formou em vários horários do dia: pela manhã cedo, meio da tarde, à noite. Ela é resultado da temperatura da água do mar, no Oceano Atlântico. Em julho e agosto, ela está mais baixa, é a parte do ano em que a temperatura da água está mais fria. E nessa mesma época, no interior do Brasil (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás), as massas de ar quente já estão mais ativas, E quando desce para o litoral, encontra essa água do mar mais fria e acaba se condensando na neblina”, acrescenta Bonafim. Efeitos A alta umidade, lembra o especialista, também não é benéfica, pois abre espaços para uma série de problemas respiratórios. "Tem mofo, ácaros, fungos. Isso prejudica as pessoas que têm rinite, alergia, bronquite e outras enfermidades”, argumenta, lembrando ainda os efeitos econômicos das paralisações consecutivas das operações no Porto de Santos em função da neblina. “Enquanto o litoral apresenta neblina e a temperatura da água do mar está até um pouco mais quente nesse momento, os dias têm sido bastante amenos. Coisa de 25 graus, enquanto, em São Paulo, subia 37 graus. Uma discrepância climática muito grande”, complementa Rodolfo Bonafim.