[[legacy_image_353818]] Com o mercado de trabalho tornando-se cada vez mais competitivo e o avanço inegável da inteligência artificial (IA), a ansiedade entre os trabalhadores sobre a estabilidade de seus empregos e a entrada no mercado cresce. No entanto, conforme destacam especialistas consultados pela reportagem de A Tribuna, há um atributo humano que continua a ser um diferencial crucial tanto para a competitividade profissional quanto para o bem-estar pessoal: a inteligência emocional. De acordo com a psicóloga e consultora de Recursos Humanos Rita Zaher, a inteligência emocional pode ser definida como a capacidade de identificar as alterações nos nossos sentimentos e reconhecer as emoções, de forma que consigamos conduzi-las da maneira mais adequada. “As emoções nos acompanham desde sempre. A ansiedade, por exemplo, é uma forma de sobrevivência positiva desde a pré-história. Ela nos ajudava a escapar dos animais e das inseguranças da vida nas savanas colocando nosso corpo em estado de alerta”, explica Zaher. “Precisamos entender que hoje não estamos mais vivendo como nossos ancestrais pré-históricos, mas ainda reagimos como eles quando as emoções nos dominam; ou paralisamos, ou atacamos”. IdentificaçãoAinda de acordo com Zaher, as emoções podem se apresentar de maneira confusa. Por isso, é importante aprender a identificá-las. “Cansaço, ciúmes, fome; tudo isso pode ser gerador de raiva. Se descobrirmos o que realmente sentimos no momento em que essas emoções afloram, podemos ter a ação adequada ao invés de simplesmente despejar no outro tentando nos livrar do desconforto interno”. [[legacy_image_353819]] A psicóloga Letícia Presas Rodrigues explica que, conforme pesquisas no campo da neurociência, há uma comparação das funções das áreas denominadas amígdalas cerebrais – responsável por comportamentos reativos e impulsivos – e o córtex pré-frontal, parte mais nova em termos evolutivos e responsável pela regulação emocional, controle do raciocínio e atenção, por exemplo. “Quando você nomeia uma emoção, você sai do controle da amígdala e vai para o córtex pré-frontal. Assim, você aumenta o controle emocional”, esclarece Rodrigues. “As emoções não ‘batem na porta’ e nos pedem permissão para entrar. Quando nos damos conta, já estamos sentindo. Entretanto, ao sentir determinada emoção e conseguir compreender e nomear, podemos pensar antes de agir e fazer escolhas”, acrescenta. DesenvolvimentoRodrigues destaca que a importância de se desenvolver essas habilidades socioemocionais o quanto antes. “Quanto mais cedo adquirirmos essas habilidades, maiores condições teremos para enfrentar os desafios”, afirma. Para isso, as duas especialistas afirmam que a prática é chave. Segundo Zaher, o desenvolvimento da inteligência emocional passa pela prática de auto-observação, autocrítica e autoaceitação. “Se uma pessoa está insegura ou irritada com algo, deve evitar tomar decisões e manter conversas difíceis nesse período. Tudo isso começa com a auto-observação, passando pela autocrítica e autoaceitação até chegar no momento em que pode ou não causar impacto no meio, dependendo da escolha que foi feita”. Quando a emoção passa por esse processo, a pessoa já não está agindo por impulso. Razões e emoçõesPara as psicólogas, as habilidades socioemocionais ainda são um grande diferencial no mercado de trabalho. Atualmente, são usados os termos hard skills e soft skills para designar as competências técnicas e socioemocionais, respectivamente. Segundo Rodrigues, o aprendizado técnico é, geralmente, a parte mais fácil do processo. “Difícil é lidar com pessoas. Esse é o maior aprendizado”. Conforme Zaher, as competências socioemocionais são cruciais para a liderança, comunicação e para um bom trabalho em equipe. “Precisamos lidar com nossas emoções e inseguranças e também com as de outras pessoas. No dia a dia, precisamos saber ouvir sem nos precipitarmos com julgamentos e respostas impulsivas, o que levaria a muitos conflitos e erros no mercado de trabalho e também no nosso cotidiano”. Por isso, a psicóloga e consultora de Recursos Humanos afirma que o mercado “valoriza muito as pessoas que sabem colocar suas ideias em pauta respeitando as do próximo e que lidam com conflitos utilizando mais a razão do que a emoção, prendendo-se a fatos e minimizando julgamentos pessoais”.