[[legacy_image_241]] Uma polêmica vem causando debates entre moradores de Guarujá nas redes sociais desde segunda-feira (10), quando, por meio de uma denúncia veiculada em uma rádio da Capital, descobriu-se que sete vereadores da cidade encaminharam emendas impositivas ao Orçamento Municipal destinando verbas a uma mesma entidade esportiva, a Liga Guarujaense de Karate-Do (LGK). O valor total dos repasses sugeridos (R\$ 1.599.578,80) chamou a atenção do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O promotor de Justiça Leandro Silva Xavier, que atua no município, instaurou inquérito civil nesta quarta-feira (12), para apurar possível esquema de desvio de dinheiro público no caso. Na nota do MPSP, foram citados todos os vereadores que apresentaram as emendas: Sérgio Jesus Passos (R\$ 63 mil), Wanderley Maduro (R\$ 343 mil), Toninho Salgado (R\$ 203 mil), Juninho Eroso (R\$ 192.578,80), Manoel Francisco Nequinho (R\$ 328 mil), Naldo Perequê (R\$ 180 mil) e Fernando Peitola (R\$ 290 mil). A principal motivação para a abertura do inquérito é a suspeita de que a entidade não tenha atuação efetiva em Guarujá. Na portaria de instauração, o promotor considerou que, mesmo que as emendas sejam canceladas, e o repasse não seja efetivado, há "indícios de violação dos princípios da administração pública" por parte dos vereadores. Eles terão 15 dias para esclarecer o que os levou a destinar os valores, chamados pelo MPSP de "consideráveis", para a LGK, apesar da precariedade de diversos setores do município. Já a liga precisará esclarecer se já recebeu verbas públicas municipais antes, e enviar a relação de todos os seus associados e dos eventos promovidos nos últimos cinco anos. A Liga Guarujaense de Karate-Do existe legalmente desde outubro de 2013, de acordo com a Receita Federal. No entanto, segundo apurado pela Reportagem, não possui, atualmente, endereço na internet ou página em redes sociais. Por conta disso, dezenas de usuários repercurtem, desde segunda, a denúncia feita pela Rádio Bandeirantes, da capital paulista. Apenas em duas publicações de uma página de notícias sobre a cidade no Facebook, acumulam-se mais de 140 reações e 100 compartilhamentos, a maioria com questionamentos sobre a entidade. Outra discussão levantada trata do presidente da LGK, Diego Oliveira Barbosa. Ele ocupava cargo comissionado na Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, com salário de R\$ 6.650, mas foi exonerado pelo prefeito Valter Suman nessa terça-feira (11). Respostas Todos os vereadores citados foram procurados pela Reportagem, mas apenas dois responderam até o momento: Sergio Jesus dos Passos (PRB) e Toninho Salgado (PSD). Os outros cinco parlamentares ainda não retornaram o contato. Sergio Jesus reconheceu a emenda, a segunda destinada por ele à LGK - R\$ 57 mil já haviam sido repassados à entidade este ano, para custeio de um projeto social no bairro Santa Cruz dos Navegantes. Segundo o vereador, o repasse foi feito por conta própria, após consulta à Secretaria de Esportes sobre quais entidades estariam aptas a receber verba pública, e receber a resposta de que a LGK era uma delas. Toninho Salgado afirmou que propôs a emenda, de acordo com ele, para manutenção de projeto social realizado na quadra do Grêmio Recreativo São Miguel, no bairro Vila Júlia, que já foi beneficiado pelo mesmo com um repasse de R\$ 157 mil, aprovado no ano passado e em vigor neste ano. A Prefeitura de Guarujá foi procurada para esclarecer qual era a atuação de Diego Oliveira Barbosa na administração pública, mas ainda não retornou. A Liga Guarujaense de Karate-Do também foi procurada para se manifestar sobre sua atuação na cidade e sobre a denúncia do MPSP, mas também não respondeu aos questionamentos.