O discurso aconteceu em sessão na Câmara de Guarujá (Reprodução) Em uma sessão ordinária da Câmara Municipal de Guarujá, uma fala da vereadora Sirana Bosonkian (PDT) na última terça-feira (3) ganhou repercussão e gerou polêmica nas redes sociais após chamar homicídio, assim como as vítimas de feminicídio e violência doméstica, de doentes. A parlamentar disse ter falado ‘no calor da emoção’ e se desculpou posteriormente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mesmo com a parlamentar se mostrando contrária ao crime, Sirana questionou quem é "pior": quem agride ou quem não denuncia em declaração. Para embasar a declaração, Sirana relembrou do caso de uma jovem de 25 anos que morreu após cair da janela do segundo andar de um apartamento na Vila Edna, depois de uma briga com o companheiro. “Antes do incidente, ela tinha discutido com seu companheiro, estava em um dos prédios com os amigos e de repente ele começou a agredi-la na frente de todos. Sendo que ela já estava passando por isso. Esse relacionamento de sete anos é abusivo, mas o que seria pior? Ele com essa agressão toda ou ela que não foi denunciar por medo?”, questionou a parlamentar. A vereadora seguiu o discurso criticando os homens que agridem mulheres e citando o medo das vítimas, relatando como a relação de poder em alguns casos que os maridos têm por serem chefes de família. Na sequência, começou outra série de questionamentos sobre o caso. “Quem que é pior? Quem é mais doente? Ele que bate ou ela que aceita agressão e não faz nada? Quem seria o pior? Ela que não sai de casa e não denuncia? Por que não denunciam? Eu não sei que tipo de hábito é esse. Que ‘sem vergonhice’ é essa do homem de toda hora bater na mulher?”, disse. Na sequência, Sirana trouxe ao debate o caso de Brenda Bulhões, jovem que foi assassinada com tiros nas costas enquanto chegava para trabalhar em um salão de beleza na Rua Pará. na Vila Alice, distrito de Vicente de Carvalho. A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do ex-namorado dela, que é o principal suspeito. Sirana citou que o ex-companheiro dela namorou anteriormente uma conhecida de Brenda e já tinha histórico de agressões. “O que faz uma mulher gostar de uma ‘coisa’ dessa? O que faz uma menina que trabalha e sustenta sua filha a gostar de uma criatura dessa e durar?”. Em outro momento, a parlamentar chamou agressores de psicopatas e se compadeceu com as famílias das vítimas citadas, prestando solidariedade a eles. Também pediu para que divulguem os números de serviços oferecidos às vítimas de violência doméstica nas redes sociais. Retratação Posteriormente, Sirana informou ter reconhecido que algumas de suas falas foram mal colocadas no calor da emoção e da revolta diante dos casos de feminicídio que abalaram Guarujá. “Quero pedir desculpas às famílias das vítimas e a todos que se sentiram ofendidos por minhas palavras. Minha intenção nunca foi culpar as mulheres, mas sim expressar a indignação e a urgência de combater essa violência inaceitável. Quando mencionei que pessoas que vivem em situação de violência doméstica estão 'doentes', quis me referir à dor emocional e psicológica que muitas dessas vítimas enfrentam, como a depressão e o desespero que as prendem nesse ciclo de violência”, comentou. A pedetista destacou ter errado ao não expressar esse pensamento de forma clara e também pediu desculpas a todos que se sentiram ofendidos. “Sou mulher, sou humana, e também sei que nossas palavras, quando mal colocadas, podem causar dor. Infelizmente, parte do vídeo divulgado omite trechos em que deixo claro meu repúdio absoluto ao crime e ao criminoso, classificando-o como covarde e psicopata”. “Deixei evidente que nada, absolutamente nada, justifica tirar a vida de uma mulher. Essas falas reforçam minha posição firme contra qualquer forma de violência e foram tiradas de contexto, o que distorce minha real intenção. Mais uma vez, lamento profundamente qualquer desconforto causado e reafirmo minha solidariedade às famílias e todas as mulheres vítimas de violência. Meu mandato continua sendo um espaço de luta por justiça e igualdade”, concluiu.