A onda gigante apareceu na Praia do Góes, em Guarujá (Reprodução / @drone_013) Uma onda considerada lendária, gigante e perigosa por surfistas surgiu neste mês na Praia do Góes, em Guarujá, no litoral de São Paulo, como noticiado por A Tribuna. A oceanógrafa Letícia Schabiuk explica que uma combinação de fatores, especialmente climáticos, contribui para a intensificação desse fenômeno. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo ela, quando se trata da formação de grandes ondas, fatores como a velocidade, direção e intensidade do vento exercem influência direta. Em geral, ondas fortes e altas estão associadas à passagem de frentes frias ou à combinação dessas frentes com episódios de ressaca. "Ou quando um swell ocorre - quando ventos fortes em alto-mar que geram ondulações que se deslocam até a costa". A mestre em Ecologia do Instituto Laje Viva ainda destaca que, quando se trata da formação das ondas, é importante entender que esse processo não acontece próximo à costa. Dragagem O surfista e empresário do ramo de recreação Raphael Bernardelli comentou que essa onda raramente acontece em Guarujá. Ele diz que, de acordo com a lenda, ela se forma por causa das dragas que retiram a areia do fundo do mar no Porto de Santos. Bernadelli acrescenta que, para permitir a passagem dos navios, é necessário aprofundar o canal e essa areia acabaria sendo deslocada em direção à Praia do Góes, contribuindo para o surgimento do fenômeno. Letícia Schabiuk explica: “Quando a gente fala da dragagem do Porto, ela realmente pode fazer com que o escoamento da água seja mais rápido, mas isso não necessariamente influencia a formação de bancos de areia ali na região. Então, há outros processos que também importam, também implicam nessa formação (onda)”. A oceanógrafa ressaltou que a área onde os sedimentos da dragagem são depositados não fica na Baía de Santos, ou seja, perto da Praia do Góes. “Existe uma área específica fora da Baía de Santos, que é própria para esse descarte. Foi feito um estudo oceanográfico para entender qual seria o melhor lugar, onde esse sedimento dragado não voltasse para dentro da baía e atrapalhasse o aprofundamento do canal”. Ainda segundo Letícia, a onda como a que ocorreu recentemente se mostra bastante forte. “Ela pode, com certeza, causar alguma coisa para alguém, por exemplo, que não sabe nadar ou que pode ser pego desprevenido. Então, como com qualquer força da natureza, a gente tem que ter muita cautela”, finalizou.