Moradora de Guarujá espera três anos por cirurgia que fará filho voltar a andar: 'Ele chora de dor'

Portador de paralisia cerebral, adolescente teve operação cancelada por conta de um material não liberado pelo SUS

Por: Gabriel Fomm  -  31/10/22  -  08:34
Atualizado em 31/10/22 - 18:04
O menino de 15 anos aguarda por cirurgia para voltar a andar
O menino de 15 anos aguarda por cirurgia para voltar a andar   Foto: Reprodução

Em uma batalha contra o sistema público de saúde, a moradora de Guarujá Elisângela Nascimento de Lima, de 36 anos, sonha em ver seu filho de 15 anos, portador de paralisia cerebral, voltar a andar. Para isso, diz ela, é necessário um procedimento cirúrgico. Elisângela diz estar há quase três anos tentando agendar.


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Em entrevista para A Tribuna, a mãe explica que seu filho teve uma piora no quadro por conta da pandemia. “Ele é portador de paralisia cerebral, mas só afetou um lado, que foi o direito. Eu não trabalho por conta disso, porque eu preciso cuidar dele”, afirma.


“Quando aconteceu a pandemia, a casa de tratamento que ele fazia fisioterapia parou de funcionar. De lá para cá, ele parou de fazer fisioterapia e os ossos dele foram atrofiando. Com isso tudo, ele veio sentindo muita dor na bacia e no quadril. Ele começou a parar de andar”, explica.


A última esperança de Elisângela é uma cirurgia recomendada por um ortopedista, o profissional afirmou que a operação pode fazer com que o jovem volte a andar.


"Estava correndo atrás de um médico quando me indicaram para entrar com uma ação judicial para conseguir uma consulta com um ortopedista. Uma professora me indicou advogado que eu não ia precisar pagar nada. Ele me pediu as papeladas e entrou com o pedido para conseguir uma consulta”, relembra.


Após entrar com a ação judicial, uma consulta foi marcada na Santa Casa de Santos. O filho de Elisângela passou por um ortopedista e teve sua cirurgia marcada para o dia 22 de julho de 2022. “No dia 21 de julho, o hospital me ligou desmarcando. Cancelaram a cirurgia porque não tinha material para fazer, porque precisa de uma placa e o SUS (Sistema Único de Saúde) não quer fornecer, não quer arcar”, diz.


“Eu entrei com advogado de novo para ver se eu conseguia a placa e até agora eu não tive retorno de nada. Eu sei que tá cada vez mais difícil para ele, está sofrendo demais e eu não sei o que faço. Esses dias mesmo ele estava chorando, porque a dor que ele sente é no osso e, por mais que tome medicamento, ela ameniza mas não para”, conta.


Agora a mãe aguarda por um retorno para que o tão desejado procedimento seja agendado. “Para ele poder encostar o pé no chão. Ele precisa colocar uma placa na bacia e cortar o tendão para ele poder esticar a perna novamente. O meu maior sonho é voltar a ver meu filho andando e ele só pode andar com essa cirurgia”, cita.


A falta de auxílio da Prefeitura de Guarujá faz com que Elisângela se sinta frustrada. “A rua que eu moro é muito cheia de buracos. Não tem condições de andar com uma cadeira de rodas. Eu vou na Prefeitura, brigo e aí consigo com muita guerra que eles venham buscar aqui na porta de casa”, comenta.


A Prefeitura de Guarujá informa, em nota, que as cirurgias ortopédicas infantis são referenciadas para o equipamento hospitalar regional por se tratar de habilitação específica de alta complexidade.

"Este caso foi agendado oportunamente para avaliação, conforme pactuação habitual, e desde meados deste ano estava em acompanhamento na Santa Casa de Santos. Os desdobramentos de acompanhamento e realização do procedimento não são de governança do município de Guarujá. A própria Santa Casa de Santos ou a instância estadual poderão oportunizar maior detalhamento do caso", diz.



A Santa Casa de Santos, por meio de sua assessoria de Comunicação, informa que a cirurgia do paciente mencionado foi reagendada, devido algumas especificidades do material e necessidade de aprovação do Sistema Único de Saúde (SUS).


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