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Domingo

29 de Março de 2020

Demora na liberação de auxílio-moradia irrita vítimas de deslizamentos em Guarujá

Famílias do Morro do Macaco Molhado dizem ter superado parte burocrática, mas não recebem valores

Moradores de Guarujá reclamam da falta de liberação do auxílio-moradia e pedem agilidade e transparência ao município. Eles vivem nas áreas atingidas pelos temporais no início do mês, já fizeram cadastro na prefeitura e afirmam ter documento da Defesa Civil atestando que as casas estão em área de risco.

A diarista Janilma Ferreira da Silva, de 42 anos, mora no Morro do Macaco Molhado com os dois filhos e marido, atualmente desempregado. Já ela faz faxina, mas por conta do novo coronavírus, os serviços estão suspensos. 

Janilma conta, ainda, que a casa onde vivia está prestes a cair. Ela ficou por algumas semanas na residência de amigos. Agora, teve de alugar um imóvel por conta própria. “A Defesa Civil já disse que não tem como ficar lá na minha casa. Tive de alugar um lugar, porque não posso ficar para sempre morando com amigos. Fiz o cadastro e já tenho a conta para receber o auxílio. Mas até agora nada”.

A ajudante de cabeleireiro Juliana dos Santos, de 25 anos, teve o barraco demolido pelo município. Atualmente, está na casa dos sogros, com o marido e a filha de 3 anos, e não tem uma definição sobre o benefício. “Ligo todo dia na prefeitura e ninguém me diz nada. A gente fica a deus-dará. Queria que informassem de forma clara o que vai acontecer. Não podem nos tratar assim”.

O porteiro Lucierick Santos da Silva, 33 anos, também não sabe mais a quem apelar. Ele montou um grupo nas redes sociais, que já conta com mais de 120 famílias que ainda não têm resposta do município sobre o auxílio-moradia. “Estão todos na mesma situação, esperando o auxílio. O estado também liberou recursos para os moradores, por que o Município ainda não repassou?”

Resposta

O secretário de Habitação de Guarujá, Marcelo Mariano, disse que é preciso cumprir exigências legais para o pagamento do benefício e que mais de 800 famílias ainda passam por triagem. “Porém, muitas delas têm pendências de documentação e isso resulta em atraso”.

Ele não informou quantas famílias têm pendência nem se já foram comunicadas. Porém, foi destacado pela Secretaria Municipal de Habitação, em nota, que os dados são analisados minuciosamente pelos técnicos da pasta. Novos decretos deverão sair nos próximos dias e os moradores estão sendo auxiliados em relação à documentação faltante. 

Mariano falou que mais de 280 famílias já foram contempladas com o auxílio, sendo ao menos 50 na Vila Baiana, mais de 40 no Morro do Macaco Molhado e mais de 50 na Barreira do João Guarda. “Portanto, esses núcleos estão sendo atendidos”.

Questionado sobre a possibilidade de se acelerar os trabalhos e pagamentos, principalmente porque muitas famílias estão sem renda devido à pandemia do coronavírus, o secretário disse que não seria possível.

“Não houve uma alteração no decreto ou na lei municipal por conta da pandemia, portanto temos que seguir o rito da documentação exigida em lei”.

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