Avenida que homenageia traficante de escravos deve ser rebatizada como 'Liberdade' em Guarujá

Vereador Walter dos Santos (PSB) apresentou projeto que altera nome da Avenida Leomil

O vereador Walter dos Santos, o Nego Walter (PSB) apresentou, nesta terça-feira (9), na Câmara de Guarujá, um projeto de lei que altera o nome da Avenida Leomil. A via leva o nome, atualmente, de Valêncio Augusto Teixeira Leomil, conhecido por ter sido um traficante de escravos.

Pelo texto, a autor propõe que o nome a avenida seja rebatizada com o nome "Liberdade". Em sua justificativa, o parlamentar disse que "não é mais possível que situações como esta nos pareçam normais no dia de hoje".

"O racismo estrutural tem que ser, definitivamente, extirpado de nossa sociedade, e não nos parece lógico que homenagem tão sombria permaneça nos dias atuais", ponderou Nego Walter.

O projeto ainda necessita passar pelas comissões internas antes de ir a votação em plenário, o que deve ocorrer nas próximas semanas.

Morte nos Estados impulsionou debate

O tema ganhou repercussão nas redes sociais após a morte do segurança negro George Floyd, assassinado por policial branco em Minneapolis, nos Estados Unidos. "Nessa onda de protestos anti rascismo no mundo todo, Guarujá poderia dar uma bola dentro e mudar o nome de uma de suas principais avenidas justamente por ter um traficante de escravos como nome. Trata-se da Avenida Leomil, no centro da cidade. Valêncio Teixeira Leomil era possuidor de extensa área localizada entre a praia do Perequê e o Canal de Bertioga, a qual ele se apropriou. O português foi denunciado e julgado por tráfico de escravos e homicídio em 1850", publicou o analista de marketing Rafael Cicconi, em uma rede social.

Segundo o secretário de Cultura, Marcelo Nicolau, "além das manifestações nas redes sociais, o prefeito Válter Suman recebeu inúmeros pedidos de moradores a respeito dessa mudança". Com isso, Executivo e Legislativo iniciaram as tratativas para a alteração.

Projeto na Câmara em 2017

A Câmara Municipal de Guarujá aprovou, em dezembro de 2017, o projeto de lei 188/2017, que estabeleceu novos critérios para a denominação de próprios, vias e logradouros públicos, a fim de evitar homenagens a figuras vinculadas a crimes de violação de Direitos Humanos. A medida foi posteriormente sancionada pelo prefeito e, assim, transformada na Lei Municipal 4.483 - que acrescenta dispositivos na Lei Municipal nº 1628, de 18 de abril de 1983, que dispõe sobre a denominação de próprios, vias e logradouros públicos no município de Guarujá e dá outras providências.

A alteração teve origem em uma reivindicação de alunos da Escola Municipal Professora Myriam Terezinha Wichrowski Millbourn, no Jardim Boa Esperança. Em novembro de 2017, eles estiveram com o presidente do legislativo municipal, Edilson Dias, a quem entregaram um estudo histórico sobre Valêncio Leomil e um abaixo-assinado, com base na Lei Federal 12.781/2013 - que veda a atribuição de nome de pessoa viva ou que tenha se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava, em qualquer modalidade, a bem público, de qualquer natureza, pertencente à União ou às pessoas jurídicas da administração indireta.

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