[[legacy_image_345256]] Advogado e ministro da Justiça no governo do presidente José Sarney (1985-1990), Saulo Ramos trabalhou em A Tribuna nos anos 1950. Chegou em 1954 ao jornal pedindo uma chance como repórter. Foi contratado, e os tempos de estreia foram agitados, com fatos nacionais e regionais marcantes. “Getulio (Vargas) se suicidou, e houve correria na redação. As notícias chegavam pelo telefone e eram datilografadas numa cabine fechada para que o datilógrafo não fosse perturbado. Santos sofreu deslizamentos de morros com mortes. Integrei a equipe de repórteres para a cobertura daquela tristeza. Um jovem engenheiro municipal ajudava no socorro às vítimas. Chamava-se Mario Covas Júnior. Ficamos amigos. Depois, passamos a chamá-lo de Zuza”, relembrou Ramos, em artigo publicado em 2004 em A Tribuna. A coluna lançada por Saulo Ramos em A Tribuna, chamada Semanascópio, fez sucesso. Era publicada aos domingos, com informações e comentários em tópicos. “Custou-me muitos e muitos sábados trabalhando até tarde. E fez escola, pois outros jornais passaram, muito tempo depois, a publicar colunas em tópicos. A Tribuna foi, assim, a pioneira.” Quando Jânio Quadros foi eleito presidente da República, em 1961, Ramos foi convidado para assessorá-lo. A renúncia, em agosto daquele mesmo ano, fez com que ele voltasse para A Tribuna, onde permaneceu por mais de dez anos. Ramos morreu aos 83 anos, em 28 de abril de 2013. “Confesso, com extrema emoção, que minha vida teve a fase indiscutivelmente mais importante em A Tribuna, onde aprendi a escrever enxuto, desenvolver o texto com fidelidade ao fato, sabendo que tanto reportagens como razões de direito não são discursos. Entendi também que os acontecimentos e a história de um país sempre passam pela redação de um jornal.” Evandro SiqueiraO ano 2000 estava terminando quando Evandro Siqueira chegou para trabalhar em A Tribuna. Hoje na produção do programa Fantástico, da TV Globo, o jornalista passou sete anos no periódico. “Fui contratado em 1º de dezembro daquele ano para uma vaga temporária, no caderno Praia & Cia, publicado durante o verão. Após três meses, acabei efetivado como repórter.” O início foi na sucursal de Itanhaém, que cobria as três cidades do Litoral Sul (Mongaguá e Peruíbe são as outras) e, em alguns casos, o Vale do Ribeira. “Depois, comecei a cobrir férias nas demais sucursais. E acabei passando por todas elas. Foi uma grande escola.” Depois desse período, Siqueira foi para a editoria Local, com foco em Santos, e permaneceu até março de 2007. “De A Tribuna fui para a TV Tribuna e, em setembro de 2009, para o Fantástico, onde sigo até hoje.” As melhores lembranças do jornalista ficaram marcadas no convívio diário na redação. “Trabalhei com repórteres e editores muito experientes, que me ajudaram bastante, especialmente nos primeiros anos de jornal. Alguns desses colegas de trabalho viraram amigos para a vida. Nestes 130 anos, eu só tenho a agradecer ao jornal que me acolheu e me preparou para a vida profissional.” Outros nomesOutros nomes famosos, tanto no Jornalismo quanto na Literatura, passaram por A Tribuna, como Alberto Veiga, Menotti del Picchia, Galeão Coutinho, Rui Ribeiro Couto, Afonso Schmidt, Paulo Gonçalves e Monteiro Lobato. Dentre as mulheres, a pioneira, provavelmente, é Nair Veiga. A primeira crônica veio logo após a Revolução de 1932, e o título era A Mulher Paulista e o Voto Feminino. A participação como colaboradora continuou até a década de 1980. Era filha de Alberto Veiga. Outra foi Lydia Federici, que atuou por 55 anos como jornalista e cronista, a partir de 1939. Sua coluna Gente e Coisas da Cidade, iniciada em 1961, foi muito famosa. A Tribuna também contou, a partir de 1953, com as crônicas de Zezinha Rezende, a Poetisa das Rosas e Poetisa de Santos, uma das fundadoras da Academia Santista de Letras e que tinha como tio-avô Vicente de Carvalho. Mais adiante, brilharam nomes como Geraldo Ferraz, Juarez Bahia, Roldão Mendes Rosa, Narciso de Andrade, Evêncio da Quinta, o Zêgo, Joelmir Beting (que assinava a coluna Revista Econômica, com pseudônimo de Juliano Bastide), Eron Brum, Gerson Moreira Lima e o fotógrafo Araquém Alcântara, um craque das imagens.