[[legacy_image_345191]] Musa do Modernismo, militante política, escritora, agitadora cultural e profissional de imprensa. Assim era Patrícia Galvão, a Pagu, que viveu o final de sua história de vida em A Tribuna — de 1956 a 1962, quando morreu, em 12 de dezembro, aos 52 anos. O trabalho de Pagu nos cadernos de Cultura que dirigiu no jornal ajudou a tornar conhecidas as obras de diversos escritores, dentre eles nomes icônicos, como Fernando Pessoa e Clarice Lispector. E foi além dos textos, ao incentivar, apoiar e produzir — em algumas ocasiões com o patrocínio do jornal — festivais de teatro amador e montagens de peças. Havia produções, inclusive, com autores internacionais até então desconhecidos, cujos textos estreavam aqui para só depois emplacar na Europa. Foi o caso, por exemplo, do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, visto na Cidade antes de ser aplaudido em Paris, na França. Pagu começou a trabalhar em A Tribuna em 16 de maio de 1956, assinando uma coluna com notícias de TV (“Viu? Viu? Viu?”). A partir de 1957, Pagu passa a assinar duas colunas de sua autoria, com longa duração em A Tribuna. Uma se chamava Literatura. A outra, Palcos e Autores e Literatura. Alguns de seus textos eram publicados com os pseudônimos Mara Lobo e Gim. Bem antes de ter o rosto conhecido como repórter, editor e apresentador na TV Globo, Carlos Monforte trabalhou por quatro anos em A Tribuna. Nascido em Santos e um dos criadores do Bom Dia Brasil, o jornalista entrou em 1970, quando fazia o segundo ano do curso de Jornalismo, pelas mãos de Iwaldo Martins Ferreira, então chefe do departamento jurídico da empresa. Monforte passou os primeiros dois anos na sucursal de São Vicente e, para vencer a inexperiência, teve um rico aprendizado na prática. “O próprio doutor Iwaldo, e mais adiante, o chefe das sucursais do jornal, mestre Oscar Barbosa, passaram a me orientar, a me mostrar como era o Jornalismo na prática, coisa que faculdade nenhuma ensina. Aprender inclusive a trabalhar em conjunto com um fotógrafo, nesse caso o português Manuel Estevam”, relembra. O jornalista também destacou outros grandes profissionais que estavam na redação de A Tribuna, na época no número 90 da Rua General Câmara. “Junto a Oscar, estava a figura lendária de Geraldo Ferraz. Depois, Juarez Bahia, assessorado nas subsecretarias por Oswaldinho Martins e Carlos Conde. Em seguida, Carlos Klein, com Clóvis Galvão e Lauro Tubino. Cada um com personalidades diferentes, métodos de trabalho diferenciados, todos com o objetivo maior de publicar a informação correta”. Depois, Monforte passou mais dois anos na sucursal de Cubatão. Uma das passagens mais emocionantes no jornal, segundo o jornalista, foi uma série de reportagens chamada A Invasão do Continente, que venceu o Prêmio Esso Regional em 1972. “As matérias foram feitas em conjunto com Carlos Manente (que também foi editor de jornalismo da TV Tribuna) e Ouhydes Fonseca. Foi uma ideia do Manente, um dos melhores repórteres que A Tribuna e o Jornalismo brasileiro já tiveram”, recorda. Monforte classifica como espetaculares os quatro anos vividos em A Tribuna. “Essa imensa porta que se abriu para mim, e para tantos outros jornalistas, foi A Tribuna, um dos melhores jornais do País”.