[[legacy_image_345170]] Pelé e bola têm quatro letras cada. São palavras absolutamente íntimas entre si. E A Tribuna sempre teve todas as letras possíveis e imagináveis para noticiar todos os feitos do Rei do Futebol desde antes de sua coroação até sua morte. Na chegada de Pelé à Vila Belmiro, em 1956, vindo de Bauru, A Tribuna estava presente, assim como em seu primeiro gol pelo Peixe, justamente em seu jogo inicial pelos profissionais. Era 7 de setembro, dia de comemoração pela Independência do Brasil. Ele entrou no segundo tempo, em substituição ao atacante Del Vecchio. Foi a sexta bola na rede do Alvinegro na goleada por 7 a 1 sobre o Corinthians de Santo André, em amistoso realizado no ABC. O lance aconteceu aos 36 minutos. “Ação Raimundinho-Tite com lançamento já na área a Pelé. Em meio de vários defensores contrários, atirou Pelé com sucesso, passando a pelota sob o corpo do guardião Zaluar”, assim escreveu Ary Fortes, em A Tribuna. [[legacy_image_345171]] Dos 1.282 gols de Pelé, 1.091 foram vestindo a camisa santista até 1974. Seis brasileiros, três Libertadores e dois Mundiais se destacam. Muitas bolas na rede são inesquecíveis até hoje, como contra o Juventus, na Rua Javari, em 2 de agosto de 1959, e contra o Fluminense, em 5 de março de 1961, no Maracanã, que valeu placa — e originou a expressão gol de placa. No primeiro, chapéus à vontade. No segundo, velocidade e dribles de sobra desde antes do meio-campo. O Peixe era uma verdadeira seleção que conquistou o mundo. Com a amarelinha, foram 95 gols e quatro Copas disputadas pelo Rei e três títulos (1958, 1962 e 1970). Mesmo após a despedida do Alvinegro, Pelé foi para os Estados Unidos, um país ainda incipiente no futebol, e vestiu a camisa do Cosmos, de Nova Iorque, a partir de 1975. O adeus definitivo veio em 1º de outubro de 1977, justamente em um amistoso contra o Santos. Ele atuou um tempo por cada equipe, mas o último gol, de falta, foi vestindo a camisa do time norte-americano. A Tribuna estava lá, a exemplo do que fez em todos os outros momentos de glória. “Sinto-me como se tivesse morrido um pouquinho ao deixar o futebol, mas por outro lado sinto que renasce uma nova vida pela frente”, disse para muitos repórteres, dentre eles Ouhydes Fonseca, de A Tribuna. O grande jogador dava lugar, de vez, ao cidadão do mundo, sempre cortejado por onde quer que fosse. Onde estava Pelé, A Tribuna acompanhava. Virou comentarista, tornou-se ministro dos Esportes no governo de Fernando Henrique Cardoso — até uma lei teve o seu nome — e continuou como garoto-propaganda de diversas marcas, incluindo a do próprio jornal, em razão do aniversário de 110 anos, em 2004. Os dois comerciais foram gravados na antiga sede da TV Tribuna, em São Vicente, com duas frases chaves ditas por ele: que o jornal deu a ele a maior sorte e que a história dele foi toda contada por A Tribuna. Em janeiro de 2006, quando A Tribuna estreava seu tabloide semanal de esportes, que saía às segundas-feiras, Pelé também participou da campanha publicitária que marcava a novidade. [[legacy_image_345172]] “Não sei se foi porque o jornal sempre me acompanhou ou por qualquer outra razão. Creio que foi pelo fato de A Tribuna sempre estar junto comigo nas viagens do Santos, aqui e no exterior. Mas acho que essa ligação de A Tribuna comigo acontece principalmente porque, no início de minha carreira, eu recortava as matérias que saíam aqui e mandava para os meus pais, que ainda moravam em Bauru, pois só mudaram para Santos em 1964”, disse o Rei do Futebol, em 2007. Casamentos se sucederam, filhos nasceram, os compromissos foram diminuindo, a saúde foi se debilitando e veio a notícia que ninguém gostaria de dar: a da morte, às 15h27 de 29 de dezembro de 2022. Edson Arantes do Nascimento se despedia. Pelé permanece eterno por tudo o que fez em campo, materializado no museu que leva seu nome no Valongo, no monumento na entrada da Cidade, na estátua em frente à padaria A Santista, no Bairro Aparecida, no CT do Santos e em todas as vezes em que foi retratado por A Tribuna, em letras e imagens.