[[legacy_image_338075]] Veja orientações para ter uma vida financeira organizada e sair de dificuldades nas contas pessoais, com o economista Luciano Simões e o educador financeiro Resende Neto. Na primeira parte, veja as perguntas para Simões. Como ter uma vida financeira saudável e quais são os pilares para isso? A primeira coisa é a comunicação. Você solteiro toca seu dinheirinho, tem o seu controle. A partir daí, tem dois ou três que têm renda na casa, a primeira coisa é comunicação e transparência. Quanto cada um ganha e quanto cada um pode dispor para os gastos da casa. Gastos fixos e, também, os esporádicos. Uma festinha ou uma passagem rápida pela Capital. Mas esses extras, além dos fixos, devem estar dentro do orçamento da família. Todos os meses, deve haver, pelo menos, uma conversa para ajustar as contas. Uma planilha, organizada no computador ou no celular, ajuda muito, não? Muito. Importante não é nem a tecnologia, mas o hábito de você ter o controle das suas contas. Comece pelas grandes contas e vá dimensionando quanto você realmente gasta para cada uma delas. Hoje, por exemplo, o aplicativo de transporte. Você acha que é uma corridinha de oito, dez, 12 reais. Mas no final do mês, pesa bem. E, para quem está no vermelho, como sair dessa situação? Primeira coisa é você saber, de fato, quanto pode pagar. Porque você já está em dívidas: se entrar numa renegociação e dever novamente, isso vai complicar muito mais a situação. Então, antes de aceitar o acordo, é saber quanto você pode ter realmente de parcela naquele acordo. Para quem está com conta negativa no banco, vale a pena pegar um empréstimo? Você trocar um juro caro por um juro barato é uma das práticas das técnicas econômicas. Há modalidades de empréstimo que acabam sendo muito mais baratas, e você quita aquela dívida com o banco. Dá para sair dessa dívida, mas não aceite a primeira proposta. A poupança ainda é uma boa opção de investimento? A poupança já foi a melhor condição de aplicação há muito tempo. Hoje em dia, não mais. Uma boa aplicação vai depender, primeiramente, do valor que você tem para aplicar. Se está, hoje, pensando em guardar de R\$ 500,00 a R\$ 1 mil, ainda pode deixar na poupança. A partir de R\$ 2 mil, R\$ 3 mil, você pode encontrar CDB, Tesouro Direto, outras aplicações que dão oportunidade de um ganho maior. Nada acima de 1% (ao mês) é seguro e tranquilo (risos). Vale a pena investir em ações? Se a renda fixa está pagando pouco, a Bolsa é uma segunda opção, com um pouco de risco. Mas, se você migrar para uma carteira, trabalhar com uma assessoria, um conceito de carteira de investimentos, ou seja, não colocar tudo numa mesma cesta, mas fazer um estudo, há, sim, a possibilidade. A vida financeira é realmente um desafio, não? Porque a taxa de endividamento do brasileiro é alta. Quais as principais causas dessa situação? O último evento econômico que todos sofremos foi a pandemia (de covid-19). Em 2020, muitas famílias perderam o sustento. Temos que lembrar que a economia brasileira é baseada em serviço, uma categoria de salário mais baixo. A pandemia foi (iniciada) há quatro anos, e pessoas que perderam o emprego naquela época demoraram, em média, de um a dois anos para se recolocar. Ela consegue sobreviver, mas deixou muitas dívidas para trás. Muita gente é obrigada a lidar com imprevistos. Isso também precisa ser planejado? O importante é você ter ferramentas. Um seguro residencial, de carro, de vida... Esses imprevistos podem ser pensados? Não dá para estimar valores, mas as ferramentas financeiras que você pode ter em um seguro aliviam um pouco. Como controlar os gastos no cartão de crédito? Para as pessoas que têm esse ímpeto de consumo, é recomendado tirar, uma vez por semana ou, pelo menos, a cada quinze dias, seu extrato. É importante a pessoa entender que o banco deu aquele crédito. Não é porque você pode pagar, mas pelo interesse em você se endividar. Um pouquinho de controle vai ajudar. [[legacy_image_338076]] Mais dicasQuem tem renda mensal considerada baixa também pode conquistar bens e fazer economia. É o que se mostra neste trecho, agora com Resende Neto. Qual é a verdadeira relação que a gente deve ter com o dinheiro? A de que nós o dominamos e ele trabalha para nós. Existem pessoas que dizem que não andam com dinheiro, porque, do contrário, gastam. É quando o dinheiro está nos dominando. Como alcançar a prosperidade que todo mundo almeja, mas com uma educação financeira adequada? Prosperidade é quando você tem dinheiro, tem recurso e tem paz. Quando você tem dinheiro, mas perdeu a paz, não posso chamar isso de prosperidade. Na era em que o dinheiro está cada vez mais virtual, qual o hábito que se deve adotar para não perder a mão? O hábito é acompanhar as suas finanças. E, se for um momento de crise, acompanhar quase que diariamente. Consultar seu saldo vai fazer você despertar a consciência e ficar mais atento. É possível ter um planejamento, uma planilha e garantir sobra no salário? Tenho certeza disso. Existem pessoas que auxiliamos, com uma renda mensal de R\$ 2 mil, R\$ 2,5 mil, que conseguem ter economia, guardar dinheiro e ter um carro quitado. Tenho outros que ajudo, com renda de R\$ 30 mil, R\$ 40 mil, e têm (contra si ações de) busca e apreensão, dívidas e estão numa situação desesperadora. Que ferramentas você usa para orientar essas pessoas? Precisamos resolver, incialmente, o que for emergência. A fome não pode esperar, se tem que comer. Temos que entender: se está endividada, há uma estratégia para que a gente possa ajudar essa pessoa a sair da dívida o quanto antes. A gente relaciona as contas fixas que tem, quanto a pessoa está gastando naquelas saídas, a gente olha o endividamento — a maioria das pessoas não sabe quanto deve, para quem deve, qual é a maior taxa de juros. A gente traça um plano e ajuda essa pessoa a sair das dívidas. Depois, faz um trabalho para que ela nunca mais volte (a ficar devendo). Se a educação financeira estivesse nas escolas desde cedo, a realidade seria outra? Precisamos lutar muito por isso. Se você vir alguns países desenvolvidos, as pessoas, quando morrem, deixam herança. No Brasil, os filhos precisam se juntar para pagar um plano de saúde para os pais, porque eles não conseguiram construir renda para se manter. E qual a principal dica para esse jovem? Para um menor aprendiz, de 14, 15 anos: se você entra num primeiro emprego ganhando um salário mínimo, esqueça. Você (deve se comportar como quem) ganha meio salário. Se as pessoas aprendessem a viver, desde o primeiro emprego, com até 55% do que ganham, jamais ficariam endividadas. Se fizer isso até os 30 anos, você é independente financeiramente, ou seja, vai trabalhar onde quiser, com o que quiser, e poder viver, de verdade, o seu propósito.