[[legacy_image_208926]] Os consumidores que compram pão de forma, requeijão, bisnaguinhas, barras de cereais e outros produtos serão surpreendidos a partir do dia 9 de outubro. É o que afirma o nutricionista José Anael Neves, professor da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes). Nessa data, produtos alimentícios com excesso de gorduras saturadas, sódio e açúcar terão uma mudança em seus rótulos, que visa trazer destaque para esses valores e os possíveis prejuízos à saúde. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os rótulos deverão conter uma lupa na parte frontal, visando indicar o alto teor desses nutrientes. A regra foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em outubro de 2020, mas só agora entra em vigor. O nutricionista alerta que tais nutrientes em excesso podem potencializar o desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, e que eles fazem parte da composição de alimentos ultraprocessados (cachorros-quentes, salsichas, refrigerantes, sopas pré-embaladas, entre outros). "Os alimentos ultraprocessados são formulações industriais com nenhum ou quase nenhum alimento in natura (obtidos de plantas ou animais) na sua composição. São extremamente palatáveis e convenientes pela presença desses nutrientes críticos e de aditivos químicos que imitam cor, sabor, aroma, entre outros atributos de alimentos in natura", explica. Os valores nutricionais são considerados excessivos nas seguintes situações: - Quando a quantidade de açúcares adicionados for igual ou maior que 15g por 100g de alimento sólido, ou de pelo menos 7,5g por 100ml de alimento líquido; - Quando a quantidade de gorduras saturadas for igual ou maior que 6g por 100g de alimento sólido, ou de pelo menos 3g por 100 ml de alimento líquido; - Quando a quantidade de sódio for igual ou maior a 600mg por 100g de alimento sólido, ou de pelo menos 300mg por 100ml de alimento líquido. "A rotulagem nutricional frontal alertando para a presença de algum dos nutrientes críticos em excesso surpreenderá muitas pessoas. Alimentos usualmente percebidos como saudáveis, a exemplo de requeijão, pão de forma, barra de cereal, cereal matinal, néctar, milho verde e bisnaguinha, são alguns exemplos", comenta Neves. [[legacy_image_208927]] Atenção aos rótulos A empresária Helena Barreto, de 52 anos, moradora do bairro Santo Antônio, em Guarujá, afirma que a medida pode ser benéfica para a saúde dos consumidores. "Para o consumidor final é muito importante. Tem muita gente com intolerância a lactose, glúten. Quanto maior a informação nutricional, é válido, porque a pessoa tem como se prevenir", ressalta. Quem costuma ficar atenta aos rótulos, e a partir de agora não será diferente, é a estoquista Glenda Oliveira, 42 anos, moradora do Macuco, em Santos. "Eu olho tudo, validade, rótulo, pela minha saúde mesmo. Algumas pessoas também observam (esses detalhes)". O comerciante Raphael Martins, de 42 anos, morador da Ponta da Praia, acredita que a inclusão da lupa pode melhorar a consulta das informações por parte do consumidor. "Pelo menos abre a possibilidade para quem tem interesse poder consultar. Sem isso, nem a possibilidade existe. Isso vai alterando a cultura do consumidor", frisa. Problemas de saúdeIntegrante do Observatório de Rotulagem de Alimentos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a nutricionista Mariana Frazão Batista cita que o consumo em excesso desses alimentos pode provocar complicações de saúde que vão de doenças cardiovasculares até câncer. Ela relata que o alimento por si só não é um vilão, mas sim, o consumo excessivo dele. "Um padrão alimentar com excesso de gordura saturada, sódio e açúcar adicionado está relacionado ao desenvolvimento e agravo de sobrepeso, obesidade, doenças crônicas não transmissíveis (diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e câncer) e diversas outras complicações de saúde. A dieta como um todo deve evitar o consumo frequente de produtos que levarão selo", alerta.