[[legacy_image_30420]] Sem medidas mais restritivas e com o ritmo atual de crescimento do número de pacientes em UTIs, o Estado de São Paulo pode amargar o esgotamento de leitos em 11 dias. A informação é do próprio Governo Estadual, durante reunião virtual com 618 prefeitos realizada na tarde de terça-feira (2). Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “É um cenário triste, alarmante, mas que exige uma atuação de forma uníssona. (O número de internações) cresceu muito no Interior e na Capital, bem como a Região Metropolitana de São Paulo. Gostaria de pedir essa mobilização, pois o momento é de extrema gravidade e vai exigir um esforço ainda maior de todos nós”, afirmou a secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado, Patrícia Ellen, na reunião. O crescimento da ocupação de leitos UTI no Estado ocorre de maneira ininterrupta desde de 31 de janeiro. E de 23 de fevereiro para cá, o ritmo diário é de 2,2%. Diante desse cenário, o Centro de Contingência da Covid-19 já sinalizou que irá sugerir medidas mais restritivas. São avaliadas, por exemplo, a criação de uma fase mais dura do Plano SP ou a adoção da fase vermelha em todas as regiões. Durante a reunião de ontem, houve o alinhamento de Estado e municípios para a eventual aplicação de medidas mais restritivas. Um anúncio nesse sentido pode ser feito ainda hoje. Rigor Para o médico infectologista e membro da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia, Evaldo Stanislau, o atual cenário exige medidas restritivas rigorosas, mas nas áreas onde se tem um esgotamento do sistema de Saúde, com taxas de ocupação de UTI que passam de 85%. “Em situações em que você tem uma margem entre 70% e 85%, medidas restritivas são interessantes, mas não precisam ser tão radicais, com controle de eventos que aglomeram e toque de recolher. Quando você tem taxas de ocupação abaixo de 70%, as medidas que o Plano São Paulo coloca são suficientes com controle de eventos de aglomeração, sobretudo eventos sociais noturnos, principalmente bares e baladas”. Do ponto de vista médico, Stanislau afirma que, apesar das variantes, continua-se lidando com um vírus de transmissão aérea, de pessoa para pessoa. Então, as medidas de controle são as medidas de distanciamento e o uso correto da máscara. “Em situações extremas, toque de recolher ou lockdown e, claro, a ampliação da vacinação”. Aula presencial gera polêmica A abertura das escolas para atividades presenciais passa, agora, a dividir opiniões das autoridades. Em São Paulo, por exemplo, a Secretaria de Educação vem repetindo que é preciso manter as escolas abertas para garantir segurança pedagógica, alimentar e mental aos alunos. O secretário Rossieli Soares afirmou diversas vezes que a Educação deve ser priorizada neste momento. Nesta terça, porém, em entrevista à rádio CBN, o secretário de Saúde do Estado Jean Gorinchteyn defendeu a suspensão das aulas presenciais. Na segunda-feira, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) tornou pública uma carta em que pede um pacto nacional pela vida, enumerando ações e medidas mais rigorosas de combate à pandemia. Entre elas, a suspensão das atividades presenciais na Educação. “Em relação às escolas, se você estiver em lockdown, as medidas devem ser para todos. Então, deve-se evitar, inclusive, as atividades nas escolas, promovendo aulas remotas. Agora, afora isso, pode, desde que com rigor nos protocolos. Se a escola e o que gira em torno dela não asseguram isso, a atividade escolar fica prejudicada”, diz o infectologista Evaldo Stanislau.