[[legacy_image_167863]] As mulheres têm um papel imprescindível na sociedade, embora nem sempre essa importância seja reconhecida. No pleito deste ano, esse público deverá ganhar uma atenção especial por uma questão simples e pragmática para a classe política: elas representam a maioria do eleitorado. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a participação das integrantes do sexo feminino entre os votantes cresceu no País nas últimas duas décadas, passando de 50,85% em 2002 para 52,89% neste ano. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Tal fenômeno também se repetiu, neste mesmo período, na Baixada Santista, onde o total de mulheres aptas a ir às urnas pulou de 51,93% para 54,12%.(veja detalhes no quadro mais abaixo) De olho nesses números, partidos e profissionais de comunicação que assessoram as equipes de campanha dos futuros candidatos traçam estratégias para conquistar o coração e a mente das eleitoras. O consultor e professor de Marketing Político e Eleitoral Marcelo Vitorino afirma que o público feminino é muito importante para a comunicação das campanhas e que essa situação exige uma forma diferente na hora de produzir conteúdo e de escolher a linguagem a ser usada. Para atrair esse público às urnas, o especialista entende que não basta somente trazer ao debate assuntos do interesse feminino, mas é preciso que o político tenha uma atuação reconhecida por essas pautas. “É questão de ter reputação constituída no tema. Uma candidatura precisa, realmente, ter a conexão com as pautas, não apenas falar sobre elas”, explica. [[legacy_image_167864]] RessalvasA docente e publicitária especializada em Marketing Digital Natália Mendonça destaca que há um esforço maior das equipes dos concorrentes a cargos públicos para falar com o público feminino, que representa a maioria da população. Ela ressalta, entretanto, que isso não é um fator determinante para decidir um pleito, porque cada pessoa tem interesses, opiniões, prioridades de vida e necessidades distintas. “É muito difícil pensar em candidatura de cargo do Executivo que reuniria argumentos suficientes para atrair todas as mulheres de uma forma generalizada”, justifica. Nathália entende que um exemplo claro nesse sentido é a eleição de 2018, quando o então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro manifestava ataques a esse público, mas, mesmo assim, conseguiu atrair uma parte importante desse eleitorado. A cientista política e professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Olívia Perez relembra que o maior protesto feminista da história do Brasil, batizado de Ele Não, ocorreu durante o período de campanha daquele ano, devido à possibilidade de Bolsonaro ser eleito. “Foi uma mobilização que começou na internet, mas foi se capilarizando e ganhando apoio de movimentos sociais e de partidos políticos. No entanto, isso não foi capaz de impedir a vitória de Bolsonaro. Há mulheres que não são feministas, porque a gente vive em uma sociedade machista”, considera. BarreirasA cientista política e professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Olívia Perez discorda da visão de parte da sociedade que considera que as mulheres e a juventude não se interessam pela política. “Muitas podem não se sentir representadas pelos parlamentares, pois há uma dificuldade grande de elas entrarem nesse universo. Essa situação não é culpa do sexo feminino, mas de homens que jogam para elas as tarefas domésticas e não abrem espaço para que participem das decisões políticas”, afirma. A docente aponta, ainda, que o público masculino acaba usando falsos argumentos para manter as mulheres longe desse universo, como dizer que não são capazes ou não teriam estômago nem inteligência para participar dessas discussões. “Os movimentos feministas e progressistas esperam que as mulheres sejam incluídas, de fato, nas principais decisões políticas e deixem de atuar como figurantes”, destaca. PluralidadeO advogado Tunico Vieira, professor de Ciências Políticas da Universidade Metodista, entende que a participação da mulher na política faz com que a população veja esse segmento como um espaço mais democrático e de diversidade. Ele entende, porém, que o gênero de quem concorre não seja algo tão relevante na hora de a pessoa decidir o sufrágio. “Eu prefiro acreditar que o posicionamento político e as propostas do candidato, independentemente do sexo, ainda sejam a principal justificativa para o voto”, afirma Vieira. O docente exemplifica que o político que busca uma vaga no Executivo ou no Legislativo não precisa ser mulher para entender os direitos desse público. Porém, é necessário que o candidato tenha consciência e preparo técnico para atuar em todas as áreas da administração pública.