[[legacy_image_18177]] Em algumas profissões, o home office (trabalho remoto, de casa) não é uma opção para se evitar a covid-19. Nesses casos, a saída é arregaçar as mangas e se proteger, algo que pode parecer simples, mas que causa angústia àqueles que vivem na pele a situação. O uso de máscara e álcool em gel é o menor dos problemas, em meio ao constante crescimento de casos da doença e ao retrocesso para a fase amarela, na Baixada Santista. É o psicológico desses profissionais que fica mais afetado, pelo excesso de preocupações. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! Essa perturbação vai do constante cuidado para evitar o contato com o vírus – não adoecer e virar vetor dentro da própria casa – até as responsabilidades naturais das atividades desempenhadas no emprego. “O sentimento de continuar trabalhando é de gratidão, mas isso causa certa angústia por ter medo de pegar a doença”, diz o promotor de vendas Luiz Henrique Dias da Silva, de 30 anos, que não teve covid-19. Para se proteger, costuma higienizar constantemente as mãos e manter distância dos clientes. A psicóloga Paula Carvalhaes ressalta que tal situação cria uma vulnerabilidade emocional e física. Ela explica que esses profissionais ficam em estado de alerta que ajuda a fazer melhor uma tarefa, mas, com o tempo, o corpo desenvolve uma estafa, que ocasiona cansaço, dores e falta de ânimo. “A consequência é que temos um aumento de sintomas de transtorno de ansiedade generalizada. As pessoas estão se mostrando inquietas, agitadas, nervosas, com insônia, com pensamentos catastróficos, com traços fóbicos e compulsivos. Isso piora sua qualidade de vida ou elas ficam realmente com sintoma de pânico”. A psicóloga também destaca que a situação piora a questão da depressão. Desconhecimento O presidente do Sindicato dos Taxistas de Santos e Região, Luiz Antonio Sares Guerra, de 68 anos, que também é motorista, não teve covid-19, mas já viu a filha bancária contrair a doença. Para ele, é complicado ter que tocar a vida tendo que “lidar com as incertezas” sobre a enfermidade. Mesmo com a adoção de medidas de segurança, como a instalação de divisórias de acrílico entre os bancos do carro, o uso de álcool em gel e de máscara, por transportar diversas pessoas em seu táxi, Guerra não esconde a preocupação com o vírus, o mesmo receio dos passageiros. A preocupação aumenta quando o serviço é para alguém com sintomas da doença, que precisa ir a uma unidade de saúde. “Ficamos apreensivos, mas temos que trabalhar. (Pedimos que haja) confiança devido às normas de segurança que levamos à risca”.