[[legacy_image_210336]] A exemplo da Economia, a Educação foi uma das áreas mais afetadas pela pandemia de covid-19, que agravou os problemas enfrentados por alunos e professores na rede pública de ensino do País. Se na era pré-coronavírus os obstáculos comuns eram salas superlotadas, defasagem curricular e falta de professores ou de estrutura nas escolas, a pandemia extrapolou esse cenário. A nova e dura realidade mostra altos índices de evasão escolar e dificuldades no aprendizado de alunos dos ensinos Fundamental e Médio. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! São vários os estudos que demonstram o caótico panorama do Ensino no Brasil, bombardeado do início de 2020 ao começo deste ano pelo fechamento de escolas e por um ineficaz sistema de aulas remotas, no qual grande parte dos estudantes não aprendeu o conteúdo por falta de acesso à internet. Um relatório do Banco Mundial e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado em junho, apontou que quatro entre cinco alunos do sexto ano na América Latina não eram capazes de interpretar um texto de extensão moderada. Neste mês, um estudo realizado pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica) para a Unicef, divulgado pela BBC Brasil, revelou que mais de um em cada dez crianças e adolescentes de 11 a 19 anos não estão frequentando a escola no País, o equivalente a 2 milhões de pessoas. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) divulgou, na semana passada, dados preocupantes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Neste, a porcentagem de crianças do 2o ano do Ensino Fundamental que ainda não sabem ler nem escrever palavras isoladas mais do que dobrou de 2019 para 2021: de 15% para 34%. Em um recorte local, o Estado de São Paulo não foge à regra nesse retrato da Educação. Em março, o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) apontou que estudantes do 3º ano do Ensino Médio tiveram as piores notas em Matemática na série histórica da avaliação do Governo Estadual, divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Diante do desafio que se coloca, A Tribuna pesquisou as propostas dos dez candidatos a governador para a área da Educação. Com maior ou menor ênfase ao tema, os programas de governo apresentam ideias e projetos que, se colocados em prática, mudariam o patamar do ensino público no Estado. As principais propostas estão descritas no quadro abaixo. Baixada SantistaPara ter um panorama do universo representado pelas escolas estaduais nas nove cidades da região, A Tribuna solicitou dados à Secretaria de Educação do Estado. Segundo o órgão, são 160 unidades de ensino na Baixada, e Guarujá, com 34 unidades, tem a maior rede. São 27.589 alunos (14.259 no Ensino Fundamental, 10.876 no Ensino Médio e 2.454 no Centro Estadual de Jovens e Adultos), 1.582 docentes e 259 funcionários de apoio (agentes de serviços escolares, de organização escolar, secretários de escola e assistentes de administração escolar). A menor rede na região é a de Mongaguá, com sete escolas estaduais. São 2.661 estudantes matriculados (108 no Ensino Fundamental, 2.262 no Ensino Médio e 291 na Educação de Jovens e Adultos, a EJA), 194 professores e 30 funcionários de apoio. Altino Junior - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) No programa de governo, o partido cita que, durante a pandemia, muitos estudantes das escolas públicas estaduais ficaram sem aula e que o Governo Doria não teria garantido condições para milhões de crianças e adolescentes estudarem. Salários baixos, sobrecarga de trabalho e falta de um plano de carreira dos professores são apontados como os principais problemas a serem enfrentados caso o candidato seja eleito. A Tribuna entrou em contato com o partido pedindo informações detalhadas, mas não obteve resposta. Antonio Jorge Filho - Democracia Cristã (DC) Priorizar a Educação como vetor fundamental para o avanço social e a cidadania plena. Acesso universal e real à Educação. Esses foram os únicos pontos abordados pelo programa de governo. A Tribuna entrou em contato com o partido pedindo informações detalhadas, mas não obteve resposta. Carol Vigliar – Unidade Popular (UP) Educação pública gratuita para todos e em todos os níveis. Garantia de livre acesso do povo à universidade e/ou cursos técnicos profissionalizantes. Fim de vestibular, vestibulinho ou qualquer processo seletivo. Lançamento de programa de erradicação do analfabetismo em São Paulo, envolvendo redes e mobilizadores populares ligados aos movimentos sociais e educacionais. Garantia de um programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) integrado à Formação Inicial Continuada de trabalhadores, compreendendo o trabalho como princípio educativo. Revogação da Lei do Novo Ensino Médio e reformulação do currículo escolar com base na ampliação dos conhecimentos básicos e científicos necessários ao jovem no Ensino Médio. Ampliar as instituições de pesquisa e integrá-las aos programas de pós-graduação. Aumentar o número de bolsas de pesquisa nos cursos de graduação, pós-graduação das universidades estaduais e aprofundar os convênios para bolsas no exterior. Edson Dorta – Partido da Causa Operária (PCO) Defesa do ensino público, gratuito e de qualidade para todos em todos os níveis. Trabalhar por mais verbas para a Educação Pública. Revogação de todas as reformas do regime golpista contra a Educação e o Ensino Público. Fim dos vestibulares, para livre ingresso nas universidades. A Tribuna entrou em contato com o partido pedindo informações detalhadas, mas não obteve resposta. Elvis Cézar - Partido Democrático Trabalhista (PDT) Criar o maior programa de estruturação das escolas de tempo integral no Estado, revitalizando o projeto do antropólogo Darcy Ribeiro. Garantir a universalização da alfabetização a todas as crianças até 7 anos. Reformular o processo ensino-aprendizagem considerando a nova realidade global. Ampliar vagas no Ensino Médio, aumentando a escola de tempo integral e estimulando a formação técnico-profissional. Ampliar o ensino profissionalizante de jovens e adultos fazendo uso de plataformas e recursos digitais. Implantar a cultura da paz dentro das escolas, trazendo mais segurança, sociabilidade e combatendo o bullying e o preconceito. Garantir acessibilidade aos equipamentos educacionais às pessoas com deficiência. No Ensino Superior, ampliar o acesso às universidades paulistas com o aumento do número de vagas. Ampliar o acesso ao Ensino Superior a distância e semipresencial, por meio da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Universalizar as Etecs e as Fatecs. Fernando Haddad – Partido dos Trabalhadores (PT)Criar mais 200 mil vagas públicas de Ensino Médio de níveis profissional e técnico. Criar os Institutos Estaduais (IEs), centros educacionais de referência e de cultura e esporte em todas as regiões do Estado. Qualificar e continuar a ampliação das escolas em tempo integral. Reestruturar o currículo do Ensino Fundamental e reformar o Ensino Médio em diálogo com profissionais e alunos. Atenção à qualidade do Ensino Fundamental II. Qualificar o ensino de língua inglesa nos colégios. Combater a evasão escolar, atuando com os alunos com defasagem e multirrepetentes, reforçando as ações de busca ativa. Ampliar cuidados com a saúde mental dos estudantes. Criar o Cartão Permanência para assegurar a permanência e a formação de jovens em condição de vulnerabilidade no Ensino Médio. Criar o Alfabetiza SP, programa de alfabetização em colaboração com os 645 municípios paulistas. Garantir internet de alta velocidade para as escolas. Fortalecer a rede de bibliotecas das escolas estaduais. Educação Infantil em colaboração com os municípios. Gabriel Colombo – Partido Comunista Brasileiro (PCB)Expandir e universalizar o Ensino Público, gratuito e de qualidade nos níveis Fundamental e Médio e das escolas do campo, indígenas e quilombolas. Estatizar o Sistema S, que seria gerido em parceria com organizações da classe trabalhadora (sindicatos). Construir em conjunto com as escolas uma política permanente contra o racismo, o patriarcado e a violência de gênero. Valorização dos professores e dos trabalhadores da Educação da rede estadual. Reestruturar a carreira docente e dos demais trabalhadores da Educação tendo como base o salário mínimo calculado pelo Dieese, e o mínimo de um terço de hora atividade. Ampliar escolas de ensino integral. Acabar com a terceirização da merenda escolar, privilegiando itens produzidos pela agricultura familiar e por assentamentos do Estado. Reformar prédios escolares garantindo estrutura mínima de laboratórios, bibliotecas, quadras poliesportivas cobertas e rede de wi-fi. Reorganizar a escolarização dos adolescentes atendidos pela Fundação Casa. Rodrigo Garcia – Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)Garantir o ensino em tempo integral para as escolas de Ensino Médio. Continuar a ampliação da escola em tempo integral em todas as etapas do Ensino. Oferecer Ensino Técnico e cursos de especialização para os estudantes do Ensino Médio. Manter programa de Bolsa Permanência, que garante valor mensal para que o jovem não abandone os estudos. Permitir que estudantes da rede pública cursem disciplinas nas universidades estaduais e nas instituições municipais de Ensino Superior. Estender para a Educação de Jovens e Adultos o Ensino Técnico. Conceder bolsas de estudos para estudantes que estejam terminando o Ensino Médio com bons resultados acadêmicos. Implantar sala maker com atividades relacionadas à cultura digital, robótica e ciências em todas as escolas da rede estadual. Consolidar a Nova Carreira do Magistério, aprovada em março deste ano. Oferecer programas de mestrado, doutorado e cursos de extensão ou especialização para docentes da rede estadual. Ampliar políticas educacionais voltadas para grupos como indígenas e quilombolas. Tarcísio Gomes de Freitas - RepublicanosRecompor e implementar no Estado a Política Nacional para Recuperação das Aprendizagens na Educação Básica. Estabelecer novas metas de aprendizagem para os alunos que estudam nas escolas estaduais. Aumentar a qualidade e a quantidade de recursos didáticos e educativos nas escolas, como ensino 5.0 e bibliotecas digitais. Ampliar a oferta de educação integral nos ensinos Fundamental e Médio, com alimentação de qualidade, tempo de estudo aumentado e currículo integrado. Parceria para ampliar o Programa Forças no Esporte, junto com as Forças Armadas, para atividades de ensino em tempo integral em escolas municipais e estaduais. Desenvolver parcerias com as universidades, escolas técnicas e iniciativa privada para criar centros de formação científica e tecnológica nas instituições de ensino. Criar política junto às prefeituras para atendimento de 100% da demanda de creches até os 3 anos. Apoiar as prefeituras na alfabetização dos alunos. Ampliar a acessibilidade das escolas e a inclusão de alunos com deficiência. Vinicius Poit – NovoMelhorar a empregabilidade da mão de obra e preparar os jovens para as profissões do futuro. Dialogar com o setor produtivo para identificar prioridades para a oferta de cursos profissionalizantes, alinhando-os com as demandas do mercado. Utilizar as ferramentas digitais para aperfeiçoar a gestão escolar e o aprendizado de classe. Programa de treinamento para docentes focado no aprimoramento da prática de lecionar em sala de aula. Profissionalização da administração e melhoria pedagógica com auxílio de organizações sociais, entidades civis ou parcerias público-privadas (PPPs). Acelerar a implementação das escolas de tempo integral, com meta de expansão para 4.500 unidades. Força tarefa para reforço escolar de crianças e jovens com perda de aprendizado devido à pandemia. Disponibilizar vagas de cursos técnico- profissionalizantes para os jovens acessarem o mercado de trabalho, facilitando o primeiro emprego (Bolsa Emprego). Instituição dos cursos de Educação Financeira, Empreendedorismo e Introdução à Programação nas escolas de tempo integral.