[[legacy_image_160470]] Ir à feira está pesando mais no bolso do consumidor neste mês. Itens como o mamão formosa e o papaya, tomate, batata e banana estão mais caros – com destaque para a cenoura, que subiu 42,81% no mês passado, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC/Fipe). De acordo com especialistas, a alta é sazonal e está ligada aos efeitos climáticos do verão. “Nessa época do ano, há chuvas muito fortes ou sol intenso e escaldante. Isto não favorece os alimentos, em especial os tubérculos, como cenoura, batata e cebola. Tudo que nasce embaixo da terra perde qualidade. Com queda de qualidade, o preço sobe”, afirma o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz. Os produtos in natura acumulam alta de 16,24% nos últimos 12 meses, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC/Fipe). Mas nos primeiros meses deste ano, a alta é de 12,81%. As maiores altas foram registradas no mamão, que teve 80,78% de aumento acumulado em 12 meses. Em seguida estão melancia, com 21,79%, melão (+20,28%) e uva (+15,57%). Mas no curto prazo, a cenoura chama a atenção com alta de 68,79% desde janeiro, mais que os 61,98% de todo o ano passado. . Para a vendedora Cinthia Amim Pospilhoni, de 47 anos, os aumentos estão generalizados. Ela costuma ir à feira toda semana. “O mamão subiu muito, batata, a tomate. Bem difícil, tem que pesquisar muito para conseguir economizar”. A Tribuna esteve numa feira livre nesta terça (15) e registrou os preços que os consumidores mais citaram: mamão formosa a R\$ 11 cada, Papaya, três por R\$ 10, cenoura a R\$ 15/kg, mandioquinha a R\$ 20/kg e tomate italiano a R\$ 13/kg. “Com R\$ 100 não se compra mais nada”, reclama a diarista Luciana Conceição, de 49 anos. Além dos tubérculos, ela destaca o aumento dos “verdes”, como a alface, acelga, escarola, entre outras folhas. “Muito complicado, o jeito está sendo comer menos desses e ver se acha alguma promoção para diminuir o gasto”, afirma. Entre os produtos que a consumidora apontou, a espinafre estava R\$ 10 o maço nesta terça. A alface americana custava R\$ 7 cada, a chicória, alface crespa e lisa, R\$ 4 cada uma. A aposentada Ana Cristina, de 53 anos, afirmou que ia deixar a vagem de lado. Com R\$ 25, ela levou três legumes: tomate, cenoura e pepino. “Essa é a realidade, está muito complicado. Estou deixando de levar vagem e quiabo porque não tem como”. FeirantesOs feirantes apontam a tendência de alta dos preços. “Tomate subiu muito. Eu comprava dez caixas e agora com o mesmo dinheiro eu compro cinco. Só trago porque não pode faltar para os clientes, mas acabou repassando o preço”, afirma a feirante Livia Maria, de 48 anos, 20 deles nas barracas. “São as chuvas, tudo que vai na terra ficou bem mais caro”, completa ela. O também feirante Reinaldo Passos de Souza, de 45 anos, diz que não conseguiu segurar o preço do mamão. “Cada semana ele aumenta mais. No começo até seguramos, mas depois não teve jeito”, diz. TemporárioSegundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, a boa notícia é que maioria dos preços deve cair a partir do mês que vem, com o fim do verão. “É um efeito transitório. A feira-livre fica mais cara no verão e mais barata no inferno, com isso o preço acaba tendo soma zero. No inverno, apesar de não chover, não prejudica as culturas porque a irrigação compensa a falta de chuva”, afirma. Entretanto, ele explica que há efeitos que poderão trazer efeitos permanentes e esses devem ser acompanhados de perto, como a guerra na Ucrânia e seus efeitos na importação de fertilizantes (que pode prejudicar produções de alimentos) e os fretes por conta do aumento dos combustíveis que acompanha a alta do barril no mercado internacional. “Os produtos precisam chegar às cidades. Se o diesel fica mais caro, escoar também”, conclui.