Caixa Econômica suspende concessão de financiamentos do 'Minha Casa, Minha Vida'

Medida afeta Cubatão e Santos, ambas com empreendimentos com financiamentos na faixa 1,5 do projeto

Por: Gabriel Oliviera & Da Redação &  -  15/11/18  -  13:08
  Foto: Alexander Ferraz/AT

Por falta de dinheiro, a Caixa Econômica Federal suspendeu a concessão de novos financiamentos na faixa 1,5 do Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal. Com a decisão, empreendimentos em Cubatão e Santos serão afetados. O banco retomará o crédito apenas no ano que vem.


Na linha atingida, que beneficia famílias com renda de no máximo R$ 2.600,00, a Caixa banca até R$ 47,5 mil do imóvel. É justamente o dinheiro para o subsídio que acabou. O financiamento tem prazo de pagamento de 30 anos e juros de 5%.


O banco não disse qual era o valor destinado à faixa 1,5, mas informou que o orçamento total do Minha Casa, Minha Vida para 2018 é de R$ 57,4 bilhões.


Até o momento, segundo a instituição, foram contratadas 4,7 milhões de unidades habitacionais pelo Brasil. De acordo com a Caixa, as outras linhas de crédito continuam contratando novas unidades e a faixa 1,5 será retomada no início de 2019, quando o programa receberá novo aporte de recursos.


Consequências


Em Santos, a suspensão atrasará os projetos de dois empreendimentos com 472 unidades habitacionais na Vila Mathias, cuja análise de financiamento está em andamento na Caixa. “Quando a linha for reaberta em 2019, será dada a continuidade”, informou a Companhia de Habitação da Baixada Santista.


Já em Cubatão, a decisão afeta a construção de 1.720 moradias em uma área entre o Jardim Casqueiro e a Ilha Caraguatá, bancadas pelo Poder Público, para atender os moradores que hoje pagam aluguel.


Os demais municípios informaram, por meio das assessorias de imprensa, que não têm financiamentos na linha da faixa 1,5.


O vice-presidente de habitação econômica do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Rodrigo Uchoa Luna, destaca que a linha atende principalmente financiamentos particulares e é muito procurada em razão da faixa de renda que atende.


“Por conta dessa alta demanda, os subsídios foram consumidos de uma forma muito mais rápida do que se imaginava”, analisa. “Claro que a consequência da suspensão não é boa, mas nós estamos a dois meses do fim do ano e acreditamos que ainda possa haver alguma suplementação do Governo para terminar 2018 atendendo parte da demanda”.


O Ministério das Cidades não se manifestou para A Tribuna até o fechamento desta edição.


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