Baixada Santista tem 27 praias impróprias para banho

De acordo com monitoramento da Cetesb, número representa 37% do total

Por: Bruno Guedes  -  17/11/18  -  13:19
Praia do Gonzaga, em Santos, está imprópria para o banho de mar
Praia do Gonzaga, em Santos, está imprópria para o banho de mar   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Vinte e sete praias da Baixada Santista estão impróprias para banho neste feriadão. Dados da Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) mostram que 37% dos 72 pontos de medição nas nove cidades apresentam quantidades de coliformes fecais acima da tolerável. Problemas gastrointestinais e doenças de pele estão entre os riscos para a saúde. As aferições foram realizadas na última semana, como parte de um trabalho permanente de monitoramento da qualidade da água do mar.


A situação é mais crítica em Praia Grande, onde todas as praias estão impróprias para banho. Santos e São Vicente têm apenas dois pontos próprios cada: Aparecida e Boqueirão (na primeira), Itararé e Ilha Porchat (na segunda). Em situação oposta, Bertioga, Itanhaém e Peruíbe puxam a média dos índices de propriedade da água para cima, pois têm todos os pontos de medição com poluição tolerável.


Médica clínica geral e dermatologista, Rita Paioli explica que o principal risco do contato de coliformes fecais com a pele é a ingestão dessas bactérias. “Os coliformes ficam nas mãos do banhista. Depois, ele se alimenta, come um pastel. E, se não lavar as mãos, os micro-organismos passam para o alimento, e a pessoa pode ter uma gastroenterite aguda”, detalhou ela. “Os coliformes também passam para outra pessoa pelo contato da pele”.


Outro risco é o de infecção ocular. “A pessoa que se banhar deve lavar as mãos e o rosto imediatamente ao sair. Uma solução prática é levar na bolsa o álcool gel 70, antisséptico”, completa Rita.


Datas de folga em 2019 deverão ser menores
Datas de folga em 2019 deverão ser menores   Foto: Carlos Nogueira/AT

Social e ambiental


Favelas sem saneamento básico, esgoto clandestino e outros fatores são os principais responsáveis por comprometer a qualidade do mar na região, conforme estudos.


O mais recente Relatório Anual de Águas Costeiras da Cetesb, produzido com dados de aferições feitas em 2017 em todo o estuário de Santos e São Vicente e com influência direta nas praias, mostra que todos os pontos de medição tiveram índices de material orgânico, coliformes fecais e metais bem acima dos toleráveis.


As águas do estuário sofrem a pressão dos problemas habitacionais de quatro cidades – Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá –, que, juntas, têm 39.145 moradias sem saneamento. Muitas estão sobre palafitas em cima da maré, onde cai esgoto in naturatodo dia.


Praias com menor movimentação de correntes na Baía de Santos sofrem mais. O Gonzaguinha, um dos pontos de maior concentração de poluentes do Litoral e de contorno geográfico da costa em meia-lua, ficou 87% do tempo impróprio para banho neste ano, considerando-se todos os resultados semanais da Cetesb desde janeiro.


Mais problemas


Mesmo em áreas urbanizadas há questões que prejudicam a qualidade da água do mar: esgoto clandestino e fezes de animais.


Quando há despejo ilegal de dejetos nas vias pluviais, o esgoto vai para os canais e, quando se abrem as comportas em dias de chuva, passa para o mar. Sabesp e Prefeitura atuam permanentemente para identificar ligações clandestinas e intimar donos de imóveis a eliminá-las.


As fezes de animais são fruto de passeios de cães e gatos de estimação cujos donos deixam de recolher os resíduos deixados nas calçadas. Com a chuva, as fezes são levadas para as vias pluviais, canais e, depois, para a costa.


O perigo para a saúde dos banhistas, neste caso, é ainda maior do que o esgoto humano. “As fezes de cães e gatos contêm larva migrans, responsável pelo bicho-geográfico”, afirma Rita Paioli.


A Secretaria do Meio Ambiente de Santos diz sensibilizar a população com abordagens em locais públicos e oferecendo 100 totens com rolos de papel para recolhimento de dejetos de cães. É um programa privado, mas sem ônus para o Município.


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