Dos cinco casos confirmados no Vale do Ribeira, quatro são em Cajati (foto); a doença é transmitida pelo mosquito Culicoides paraensis (Divulgação/Prefeitura de Cajati) Com as recentes confirmações de casos de febre oropouche no Vale do Ribeira e até mortes na Bahia, os especialistas em infectologia alertam para chegada da doença na Baixada Santista. Apesar disso, por enquanto não há motivo para pânico: mesmo sendo confundida com a dengue e outras doenças transmitidas por mosquitos, ainda não há evidências que ela possa ser tão preocupante ou fatal quanto. Porém, isso não quer dizer que a atenção deva ser deixada de lado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que até ontem havia cinco casos de febre oropouche confirmados no Estado, todos originários do Vale do Ribeira, sendo quatro de Cajati e um em Pariquera-Açu. A Pasta também disse que todos os pacientes já foram curados. O médico infectologista e professor de Medicina, Evaldo Stanislau, explica que é possível que haja casos da doença na Baixada Santista. “Temos essa doença restrita à região de florestas, à região amazônica, mas ela vem descendo para o Sul, Sudeste. Se está descendo, é sinal de que o ser humano está trazendo o vírus (...) É um risco concreto que a febre chegue na Baixada Santista, mas isso vai ser acompanhado e monitorado”. Stanislau explica que o homem é o grande proliferador da doença. Segundo ele, no ambiente selvagem e silvestre, quem mantém o ciclo do vírus no mosquito são os animais silvestres. Porém, quando o homem entra na floresta e vai para as cidades perto da mata, há possibilidade do ciclo urbano da febre oropouche acontecer. Além disso, a manifestação clínica da febre oroupuche é parecida com a da dengue, explica Stanislau. Porém, em casos excepcionais, a doença pode causar infecção do sistema nervoso central e evoluir para meningoencefalite. “Por isso tivemos esses casos, infelizmente, que foram a óbito, mas os primeiros a serem descritos”, afirma. Stanislau contou ainda que a febre ouropuche é uma arbovirose, ou seja, uma infecção viral transmitida por insetos e conhecida desde o final dos anos 50. Por conta do aumento de casos recentemente, há uma oportunidade de se estudar melhor o vírus, que, segundo o infectologista, é negligenciado e pouco conhecido. Transmissão e sintomas O médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Leonardo Weissmann, explica que a febre oropouche é semelhante à dengue. “É transmitida principalmente pela picada de mosquitos infectados, como o Culicoides paraensis, popularmente conhecido como ‘maruim’. O vírus entra no organismo humano pela saliva do mosquito”. "O risco de vida, até o momento, parece ser baixo" Os principais sintomas são febre alta, dor de cabeça, dor nos olhos, dor muscular, dor nas articulações, náuseas e vômitos. “Em alguns casos, pode ocorrer uma erupção cutânea. Se a doença se agravar, pode levar a complicações como inflamação no cérebro (encefalite), embora isso seja raro”. O risco de vida, até o momento, parece ser baixo, entretanto a gravidade pode variar de caso a caso. Prevenção O infectologista Leonardo Weissmann conta que não há um tratamento específico e que o uso de medicamentos deve ser feito somente para aliviar sintomas como febre e dor. Em casos graves, pode ser necessário suporte hospitalar. Para se prevenir da doença, Weissman afirma que é importante evitar o contato com os mosquitos transmissores, deixando de ir em áreas onde haja incidência da doença e minimizar a exposição às picadas. “Recomenda-se usar roupas que cubram a maior parte do corpo e aplicar repelente nas áreas expostas da pele. Também é essencial manter a limpeza de terrenos e locais de criação de animais, recolher folhas e frutos que caem no solo, e instalar telas de malha fina em portas e janelas”. Confundida com dengue A doença pode ser confundida com a dengue, pois ambas causam sintomas semelhantes, como febre e dores no corpo. No entanto, o infectologista Leonardo Weissmann conta que a dengue costuma causar mais dores nas articulações e pode levar a sangramentos, o que é menos comum na febre oropouche. “Para diferenciar as duas doenças, são necessários exames laboratoriais específicos que identifiquem o vírus”.