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Domingo

22 de Setembro de 2019

Falta de vacina contra o sarampo é um problema na Baixada Santista

Governo Federal não repassa quantidade suficiente de doses aos estados; em Santos e Guarujá, estoque pode acabar até sexta-feira (13)

A falta de vacinas pode comprometer o combate ao sarampo e ampliar o número de casos na região. A maioria das prefeituras está com estoques reduzidos, apenas para mais alguns dias, porque o Governo Federal não repassa a quantidade suficiente. Com o surto de sarampo no país, devem ser vacinados bebês de 6 meses a menores de 1 ano, pessoas de 1 a 29 anos (2 doses) e de 30 a 59 anos (1 dose).  

A Secretaria de Estado da Saúde afirma, em nota, que a responsabilidade da aquisição e distribuição da vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) é do Ministério da Saúde. O estado apenas redistribui para os municípios, conforme chegam os lotes.  

“Nos últimos meses, o envio das doses pelo órgão federal para São Paulo tem sido irregular e em quantidade insuficiente, impactando na redistribuição. Um novo lote parcial, referente ao mês de setembro, foi recebido e foram destinadas às cidades da região 11 mil doses”.

A Prefeitura de Santos diz que, na segunda-feira, recebeu apenas 1.200 doses da vacina, mas havia solicitado 12 mil – dez vezes mais. “Atualmente, em cada policlínica há cerca de 100 vacinas à disposição. Se não houver nova remessa, a previsão é que até sexta-feira as doses se esgotem”.

Guarujá afirma que recebeu mil doses da vacina, cujo estoque deve durar até o fim desta semana. Praia Grande e Bertioga preveem o fim da vacina entre sete e dez dias. Itanhaém e Mongaguá explicam que estão com estoques baixos, mas não sabem precisar o tempo de duração.

Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou. Cubatão, São Vicente e Peruíbe garantem que ainda têm quantidades suficientes para a demanda, sem informar datas.  

Número de casos  

O número de casos suspeitos de sarampo aumentou 7,5% na Baixada Santista em um dia – 13 registros a mais. Na segunda-feira, eram 173 pacientes aguardando resultados de exames do Instituto Adolfo Lutz, laboratório oficial do Governo do Estado. Nesta terça-feira (10), passaram a ser 186. A quantidade de casos confirmados é 57 (já somado caso informado nesta quarta-feira em São Vicente).

Cenário 

Em Santos, de acordo com a prefeitura, o estoque de vacinas contra o sarampo terminou nesta terça-feira (10) nas policlínicas Embaré, Gonzaga, Piratininga e Caruara. Essas unidades receberam na manhã desta quarta-feira (11) doses remanescentes da Central de Imunização. Enquanto durarem os estoques, a vacinação será aplicada nas policlínicas santistas de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h.

Pentavalente começa a faltar na rede pública 

O fornecimento da vacina pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e hemófilo B, será interrompido nos postos públicos de saúde até novembro. A falta do imunizante, que já é sentida em vários postos do Sistema Único de Saúde, deverá se agravar até o fim do ano, em consequência da reprovação do produto, que era importado da Índia. 

Os primeiros problemas da vacina, produzida pela empresa Biologicals E. Limited, foram identificados no início do ano. Três lotes foram reprovados pelo Instituto Nacional de Qualidade em Saúde (INCQS). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em junho, reprovou a importação.

De acordo com o Ministério da Saúde, novas compras com outros fornecedores para atender a demanda do País já foram realizadas. A entrega dos imunizantes, contudo, será feita de forma escalonada. Os primeiros carregamentos devem chegar apenas em novembro, se cumprido o calendário prometido. A demora na entrega é atribuída à dificuldade na produção.