[[legacy_image_276878]] Ex-secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn falou sobre os desafios do combate à pandemia e a importância do desenvolvimento da vacina CoronaVac pelo Instituto Butantan, além de reforçar o alerta sobre a importância de não “baixar a guarda” diante do coronavírus. A Baixada Santista tem apresentado números baixos de casos de covid. O senhor acredita que a gente corre o risco de ver, novamente, picos de internações e mortes por covid?Na verdade, temos um grande porcentual da população vacinada em primeira e segunda doses. Mas a gente sabe o motivo de termos uma vacina bivalente: porque ela contempla dois tipos de vírus, aquele original de Wuhan e a Ômicron. Então, o fato de haver a necessidade de se vacinar com a bivalente mostra a intenção de reforçar a quantidade dessas células de defesa, melhorar essa imunidade por meio dos anticorpos e, com isso, evitar as doenças graves, principalmente em grupos específicos, como idosos, gestantes e pessoas com comorbidades. Quando começou a vacinação nas duas primeiras doses, eram muitas pessoas procurando a imunização. Hoje, a gente vê uma baixa procura. A qual fator o senhor atribui essa mudança no comportamento da população?Isso é natural. Eu acho que a gente vai ter que analisar o fato de que as pessoas correm para tomar vacina em situações emergenciais. À medida que a gente fala menos da doença, ela deixa de fazer parte do repertório dos jornais, as pessoas falam que “acabou, não preciso tomar”. É importantíssimo que as pessoas estejam atualizando a sua condição vacinal, vacinem suas crianças, seja para gripe, seja para covid. Hoje, temos um grande contingente de pacientes pediátricos, exatamente por não ter tomado a vacina, seja de gripe, seja de covid e, infelizmente, acabam perdendo as vidas. Então, vacinar é absolutamente importante. Temos recebido relatos de pacientes que dizem que seus médicos orientam o contrário, que não devem ser imunizados. Como o senhor avalia esse comportamento?É um comportamento, para não dizer apenas irresponsável, mas lamentável. Nós aprendemos na escola médica o quanto a vacina é a protetora da vida. Veja o quanto impactou na diminuição da mortalidade de crianças, adultos e idosos. Para se ter uma ideia, os eixos que mostram quanto os países são realmente desenvolvidos: saneamento básico, diminuição de mortalidade infantil e vacinação. Nós, que temos o melhor sistema de vacinação, pelo Sistema Único de Saúde, contemplando mais de 22 vacinas gratuitas, que são disponibilizadas para nossa população, exemplo para o mundo, perderíamos a oportunidade de cuidar de quem mais precisa. O senhor atuou como secretário em meio a um momento crítico da saúde, como a pandemia. Como viu esse desafio?Estávamos no meio de uma doença nova. Tínhamos que usar todos os nossos conhecimentos, que tiramos de outras pandemias. Para mim, como médico e técnico, segui muito aquilo que nós vimos em 2009, com a H1N1. Mas nós, baseados naquilo, criamos todo um sistema operacional, tanto para necessidade de vacina como aperfeiçoar as unidades de assistência, sejam elas emergenciais e de Terapia Intensiva, a importância do uso de máscara, luvas e aventais, protegendo aqueles que estavam tratando e cuidando desses pacientes. Mas precisávamos informar. Por isso, a necessidade de que a população tivesse do nosso lado. Foi algo bacana, porque tivemos o apoio da grande maioria da população, seja no #fiqueemcasa, seja para tomar a vacina. Naquele instante, o Instituto Butantan desenvolveu a primeira vacina do Brasil, que foi a CoronaVac. Como avalia a sua relevância?Foi ela que fez com que pudéssemos reduzir o impacto de gravidade e mortalidade em idosos, pessoas com comorbidade e também profissionais da área da saúde. Não só pelo fato de diminuírem doenças. Percebemos que eram muitos os profissionais acometidos pela covid, que deixavam de atender na linha de frente. Por isso que digo: nós vencemos. Estar aqui é uma luta em que cada um fez a sua parte, se dedicou com muito afinco. Todos sofremos. Hoje, parece que nada aconteceu. Mas cada um, da sua forma, sofreu.